Para cientista político, Basômetro é como 'parque de diversões'

Pesquisadores adotam ferramenta em suas análises sobre relações entre governo e Congresso

O Estado de S.Paulo

20 Maio 2012 | 03h02

Cientistas políticos que estudam o Congresso encontraram no Basômetro uma ferramenta que dá cor e movimento às suas análises acadêmicas. "É o parque de diversões dos cientistas políticos", disse Humberto Dantas, professor do Insper.

"O Basômetro vai desempatar muitos debates na academia", avaliou Carlos Melo, da mesma instituição. "É um banco de dados extraordinário, que possibilita a qualquer cidadão medianamente interessado em política analisar como vota cada deputado, cada partido."

"Já trabalhei com vários bancos de dados", disse o cientista político Celso Roma, da USP. "Em geral são arquivos brutos, o que dificulta o acesso aos dados por parte do público em geral e, até mesmo, dos especialistas. O projeto do Estadão se destaca por ser acessível e informativo."

Roma comemorou a inclusão de dados relativos aos senadores. "É mais um ponto positivo para o Basômetro, pois permite uma compreensão mais ampla do governismo."

Contexto. "A ferramenta está mostrando algo em que a gente vem insistindo há muito tempo, com base em dados que coletou", afirmou Fernando Limongi, também professor da USP e pesquisador do Cebrap. "Existe uma disciplina muito alta no sistema partidário brasileiro, que funciona de forma muito diferente do que comumente se alega." O Cebrap mantém um banco de dados com votações do Congresso desde 1989. "Quanto mais o cidadão puder acompanhar o parlamentar e o que ele faz, tanto melhor", destacou Limongi.

Para Carlos Melo, a dança das bolinhas na tela, que ilustra os movimentos de aproximação e distanciamento dos partidos em relação ao governo em determinados períodos, precisa ser compreendida dentro de uma lógica de pressões e favorecimentos. "Quando relacionamos os resultados de votações a datas de nomeação de ministros e preenchimento de outros cargos, podemos ver como os partidos vão se alinhando ao governo no ritmo do Diário Oficial."

Cláudio Couto, professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas, destacou o quanto é "amigável" o primeiro instrumento criado pelo núcleo Estadão Dados, que reúne jornalistas, designers e programadores.

O PSD, partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, chamou a atenção de Couto. "É um catadão de gente de tudo quanto é lugar. Ele se formou muito mais pela oportunidade do que por um projeto claro."

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