Para Bruno Covas, 'ser vice é querer ser subalterno'

Pré-candidato tucano à Prefeitura de SP diz que não cogita hipótese de integrar chapa liderada pelo PSD de Kassab

JAIR STANGLER , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h01

O secretário estadual de Meio Ambiente e um dos pré-candidatos tucanos à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas descartou a possibilidade de ser vice em chapa encabeçada pelo PSD. A declaração foi dada ontem durante entrevista à TV Estadão.

"Você não tem pretensão de ser vice. Político que tem a pretensão de ser vice tem a pretensão de ser um subalterno", declarou. Ele também fez críticas à gestão do prefeito Gilberto Kassab - da qual o PSDB faz parte. De acordo com o secretário, é preciso destacar conquistas como a Lei Cidade Limpa e o projeto Mãe Paulistana, mas acrescenta que, "se o PSDB estivesse satisfeito, não pensaria em candidatura própria".

A questão da candidatura própria tem sido bastante debatida por lideranças tucanas nos últimos dias. O ex-governador José Serra, por exemplo, avalia que o PSDB não tem um nome forte para disputar a Prefeitura em 2012 e defende que o partido apoie a possível candidatura do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD).

O pré-candidato, de 31 anos, acredita que sua idade não será problema em uma eventual eleição a prefeito. "A sociedade hoje não está tão conservadora quanto em momentos anteriores", disse. Para o tucano, há disposição para "apostar na renovação, apostar na juventude e apostar no que possa levar a cidade efetivamente para o século 21".

Na sua avaliação, "o que um político precisa é ter sensibilidade, é saber escutar a população". Bruno Covas disse que o mote de sua campanha será a qualidade de vida. Segundo ele, é inaceitável que as pessoas tenham de andar quilômetros para chegar ao local de trabalho e que falte opções de lazer para a população.

Além de Bruno Covas, os secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli disputam a indicação do PSDB. Os quatro se reúnem amanhã com o governador Geraldo Alckmin. Os pré-candidatos têm pressionado o partido para antecipar as prévias e, assim, garantir a candidatura própria da sigla.

Emendas. Bruno Covas, que foi reeleito deputado estadual em 2010, voltou a dizer que seu relato de que um prefeito lhe ofereceu propina em retribuição à liberação de uma emenda era um caso hipotético. Ele contou o caso ao Estado em agosto, antes de estourar o escândalo das emendas secretas da Assembleia. O tucano considera que o episódio teve final positivo: "Se o que há contra mim é dizer que eu não aceito recurso de corrupção, então eu estou muito bem".

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