Para Barbosa, mídia aumenta crise no STF

Relator diz que imprensa exagera na briga sobre o fatiamento do mensalão e que 'há muita intolerância ' no País

EDUARDO BRESCIANI, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h03

Depois da sessão de julgamento de ontem no Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa criticou a imprensa - que, segundo ele, estaria amplificando a crise provocada pela decisão de se fatiar o relatório do mensalão. "Há muita intolerância neste Brasil. Para alguns periódicos deste País, incomoda muito a minha presença neste tribunal", disse, de maneira genérica.

Barbosa disse ter tido participação menor na discussão sobre o modelo de votação a ser adotado - ocorrida no início da sessão de quinta-feira. "Eu estava a três metros de distância e só participei para fazer um esclarecimento", contou. Nesse episódio, como noticiaram o Estado e outros jornais, o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, ameaçou renunciar ao posto por não ter sido informado com a devida antecedência sobre a metodologia.

Posição. Apesar do voto de forma "fatiada", Barbosa vem antecipando sua posição sobre alguns dos temas centrais do julgamento. Para ele, o esquema foi abastecido com recursos públicos, os empréstimos no Banco Rural foram simulados e a instituição montou um sistema de lavagem de dinheiro junto com o publicitário Marcos Valério.

Barbosa já deu amostras, também, de que não aceitará a tese de caixa 2 para justificar o recebimento de recursos, nem que os acusados não soubessem que o dinheiro saía da agência de Valério. O relator deixou clara a sua posição sobre os empréstimos, ao falar ontem sobre o que considera desvios de recursos no Banco do Brasil. "A SMPB, a DNA e a Graffiti simularam empréstimos, principalmente junto ao Banco Rural, em importante etapa na lavagem de recursos do Banco do Brasil", afirmou.

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