Para antropólogo, plano do regime era integrar indígenas à sociedade

Relatórios produzidos pelo regime militar sobre o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) acabaram servindo como justificativa para sua extinção e para a criação da Funai, em dezembro de 1967. Segundo o antropólogo Mércio Gomes, que presidiu aquela instituição entre 2003 e 2007, nem sempre os documentos militares visavam à garantia dos direitos indígenas.

O Estado de S.Paulo

16 Junho 2013 | 02h06

No seu livro O Índio na História: A Saga do Povo Tenetehara, ele afirma que parte dos militares queria acabar com o SPI por não concordar com suas ações em defesa da cultura indígena: "Integrar os índios à sociedade nacional, através do trabalho, da educação e da aculturação, era um mote que estava presente em parte da elite política brasileira, e uma linha de militares queria ver isto cumprido. A imagem que se queria projetar de um Brasil grande e em desenvolvimento, com espírito moderno, também não parecia se coadunar com o jeitão do velho SPI. Foi nesse espírito que o SPI foi extinto para surgir a Funai." Ainda segundo ele, os documentos militares tinham interesse em explorar os escândalos do SIP para justificar sua extinção.

O Relatório Figueiredo, para ele, não poupou ninguém: "Até o trabalho de Noel Nutels, sanitarista que criara o serviço de combate à tuberculose, Francisco Meirelles, pacificador dos xavantes, e os irmãos Villas-Boas, foi posto em questão."/ R.A.

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