Para Anistia, documento é 'vago, arbitrário'

O diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque, considerou "vago, arbitrário e potencialmente danoso à democracia" atribuir às Forças Armadas poder de polícia, tendo como um dos objetivos o controle da população. "Ao considerar movimentos e organizações como forças oponentes, perturbadoras da ordem pública, o documento pode abrir um perigoso caminho para a repressão e a criminalização dos protestos."

Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2014 | 02h10

Para o Ministério da Defesa, a inclusão de "movimentos e organizações" entre as "forças oponentes" teve o objetivo de não designar especificamente nenhuma entidade, o que, na visão da assessoria jurídica da pasta, elimina o perigo de criminalizar movimentos. "Hoje, as operações de Garantia da Lei e da Ordem estão muito bem definidas fática e legalmente, sendo excepcionais, temporárias e episódicas, definidas onde ocorrerão e por quanto tempo", disse a assessoria de imprensa da Defesa.

O ministério lembrou que a Constituição já define a participação das Forças Armadas em Operações de GLO. Para a Defesa, a existência de um documento estabelecendo procedimentos nessas ações é uma "arma" da população, que poderá verificar se seus direitos estão sendo respeitados.

O professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Márcio Scalércio, estudioso de questões militares, considera que o documento não representa "nenhum arroubo" dos militares. "A ideia é que, caso as forças policiais, em uma situação de distúrbio de massa, não deem conta, as Forças Armadas sejam chamadas, mas não para uso de força letal", afirmou.

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