Para analistas, 'salto alto e deslize' explicam rejeição de Marta

Última pesquisa Ibope divulgada mostra que a petista perde votos em todos segmentos, inclusive os mais pobres

Andréia Sadi, do estadao.com.br

24 de outubro de 2008 | 16h32

A última pesquisa Ibope divulgada antes do segundo turno da eleição mostrou que a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo ,  Marta Suplicy, está em desvantagem em todos os segmentos da sociedade, perdendo votos inclusive nas áreas mais pobres e menos escolarizadas para o seu adversário   Gilberto Kassab. O que explicaria tal fato?   Veja também: Analista político comenta o resultado da pesquisa Ibope  Marta cai e Kassab amplia 17 pontos de vantagem sobre petista Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo  'Eu prometo' traz as promessas dos candidatos  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País     Para o cientista político e conselheiro do Movimento Voto Consciente Humberto Dantas, a população carente não se identifica com a candidata, que "vive no salto alto". "Marta errou ao acreditar que os eleitores de São Paulo votam nela. Essa visão é equivocada. O PT tem um patrimônio na cidade de São Paulo muito respeitável e circula na faixa dos 30%, isso é histórico. Não é eleitorado dela, é do PT".   O analista acredita que a candidata, diferentemente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é sim dependente do PT. " (Ela)Não transmite humildade. Pelo tom que ela imprimiu na sua campanha, podemos dizer, de uma certa forma, que ela já estava queimada (antes de entrar na corrida)", afirmou.   Para o cientista político Claudio Couto, da PUC-SP, o resultado da última pesquisa revela a "comédia de erros" cometidos pela candidata durante a corrida eleitoral em São Paulo. Ele acredita que sondagem também reafirma a altíssima rejeição à petista. " O voto contrário a Marta é uma rejeição contra ela, e que, a meu ver, tem relação com essa ultima campanha dela".   A campanha a que o analista se refere é a peça publicitária inaugural da petista no segundo turno. A propaganda questionava a vida pessoal de Gilberto Kassab, seu adversário.   "Foi um deslize muito feio, um uso absurdo da ilação (sobre o questionamento) e depois ela falar que não sabia, logo a primeira peça da campanha dela no segundo turno. Se ela não controlou a própria campanha, como vai controlar a Prefeitura", disse.   Kassab ganhou na Justiça direito de resposta contra a campanha. Marta disse que não havia visto a propaganda e negou questionamento de opção sexual. "Eu tenho currículo", chegou a dizer, em entrevista à rádio Eldorado.   No último debate, Kassab rebateu: "sou solteiro e sou feliz".   Couto disse ainda que conhece muitos eleitores que votarão 13 no próximo domingo,mas diz que nenhum votará "satisfeito". "Vão votar de nariz torcido. Votam nela por uma questão de ideologia ou porque não votam no DEM".

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