REUTERS/Leonardo Benassatto
REUTERS/Leonardo Benassatto

Para analistas, Jair Bolsonaro terá governabilidade

Candidato do nanico PSL ganhou apoio ao longo da campanha e, segundo cientistas políticos, isso ocorreu pelo fraco desempenho de Alckmin

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 04h00

No início do ano, o deputado Jair Bolsonaro parecia caminhar para ser o candidato à Presidência da República do eu sozinho. Depois de deixar o PSC, tentou se viabilizar como nome do PEN (que passou a se chamar Patriota para recebê-lo). Sem acordo com a legenda, procurou outra sigla considerada nanica, o PSL. E com o PSL, já no segundo turno e com o apoio de bancadas de peso, especialistas afirmam que Bolsonaro terá maioria no Congresso e condições de governabilidade caso venha a ser eleito Presidente da República.

A chegada no PSL foi cheia de turbulência. O partido, que iria se chamar Livres, recebeu Bolsonaro e perdeu parte dos seus simpatizantes (que formaram o movimento Livres). Em março, Bolsonaro trabalhava para garantir que o PSL tivesse ao menos cinco deputados. Naquela ocasião, ainda existia muita desconfiança do mundo político sobre a viabilidade de sua candidatura.

As pesquisas de opinião foram, aos poucos, mostrando que o candidato seria competitivo. Nesse período, com a coordenação do deputado Oxy Lorenzoni (cotado para assumir a Casa Civil em um eventual governo Bolsonaro), as poderosas bancadas evangélica, do agronegócio e da Segurança Pública foram se aproximando do candidato.

O movimento se acentuou graças ao fraco desempenho do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Figuras do chamado Centrão, bloco que apoiou formalmente Alckmin, foram declarando preferência a Jair Bolsonaro. Candidatos ao governo de diversos Estados também fizeram esse movimento – de olho na onda de votos que um apoio de Bolsonaro poderia significar. O líder da maior igreja evangélica do País e dono da TV Record, Edir Macedo, chegou a gravar um vídeo de apoio ao nome do PSL. 

Apoio. Os candidatos ao governo de São Paulo, por exemplo, João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) já deixaram clara suas inclinações bolsonaristas no segundo turno. Em Curitiba, Ratinho Jr. – eleito governador do Paraná já no primeiro turno – também indicou que vai de Bolsonaro no segundo turno. Muitos outros exemplos se somaram pelo Brasil.

O tamanho dessa onda faz com que cientistas políticos acreditem que, no caso de vitória, Bolsonaro terá sim maioria no Congresso e condições de governabilidade. “Vai ter uma bancada grande – tendo o Centrão como base. Tudo indica que uma bancada de direita mais dura será eleita. Com ela, Bolsonaro vai poder conversar e governar”, comenta o cientista político Claudio Couto (PUC-SP).

O também cientista político Humberto Dantas (USP) segue a mesma linha. “O PSL deve eleger uns 30 parlamentares. Além deles, vai contar com o velho centrão, parte do MDB, do PR, do PP, do DEM...As bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala são muito fortes no Congresso e devem dar sustentação ao presidente Bolsonaro, caso ele seja eleito.”

O cientista político Rodrigo Prando (Mackenzie) lembra que o Centrão e a direita moderada parecem ter abandonado o PSDB. “Tudo indica que os partidos que compõem o Centrão vão aceitar e colaborar com um eventual governo Bolsonaro. Portanto, ele terá, pelo menos de início, uma maioria que vai garantir a governabilidade.”

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