Para analista, Marta cometeu erro que vai marcar sua carreira

Decisão a petista de levar fato de Kassab não ser casado e não ter filhos deverá ter efeito eleitoral nulo

Guilherme Meirelles, da Agência Estado

13 de outubro de 2008 | 14h42

Questionar a vida pessoal do candidato Gilberto Kassab (DEM) com insinuações preconceituosas foi um erro que deverá marcar a carreira política da ex-prefeita e candidata  Marta Suplicy (PT). A avaliação é do cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise. Autor de duas obras que tornaram-se 'best sellers' no segmento de não-ficção, caso dos livros "A Cabeça do Brasileiro", com 21 mil exemplares vendidos, e "A Cabeça do Eleitor", que vendeu 10,5 mil exemplares desde abril, Almeida considera que a decisão de Marta Suplicy, em ter levado ao horário gratuito o fato de Kassab não ser casado e não ter filhos, deverá ter efeito eleitoral nulo.   Veja também: Blog: Leia os principais momentos do debate na Bandeirantes  'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab  Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos    "Ainda mais por ser algo contra o que ela sempre defendeu em sua carreira, uma visão de mundo mais aberta". Para o cientista político, o efeito poderá ser reverso. "Deverá haver uma perda de votos em setores da classe média, como aqueles que votaram na Soninha no primeiro turno".   Na opinião de Almeida, a iniciativa em tocar em detalhes íntimos relativos à sexualidade pode ter sido uma forma de "blindar" o voto na candidata em áreas onde ela teve um bom desempenho no primeiro turno. Segundo o cientista político, o eleitor das classes D e E, morador principalmente em bairros extremos da periferia de São Paulo, é mais conservador em questões relativas à moral. "Mas mesmo assim ela pode perder alguns votos que já conquistou", adverte.   Para Alberto Almeida, na hora do voto, o eleitor não está preocupado com a vida pessoal do candidato. "Não quer saber se é casado, se tem filhos ou é homossexual. Ele quer alguém que seja um bom administrador, que resolva os problemas da cidade". Ele recorda a eleição municipal de 1996, quando Celso Pitta foi eleito com expressiva votação. "Isto, segundo o IBGE, em uma cidade que conta com minoria de população negra, comparada aos brancos e pardos".   Um eventual preconceito aludido pela candidata Marta Suplicy e até pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com lideranças evangélicas na sexta-feira também não procede. "É mais um discurso de vítima do que propriamente a realidade. Até pode haver preconceito devido à nacionalidade (argentina) de seu segundo marido. Mas é irrelevante", diz. Na opinião de Almeida, as críticas pessoais estão mais envolvidas com o que ele acha um "desgaste político" da ex-prefeita. "Houve suspeitas sobre eventual participação do Luis Favre (marido de Marta) em assuntos ligados à coleta de lixo e licitações, além de outros episódios políticos que pesaram, como as taxas criadas em sua administração e o caso do mensalão, em Brasília".   Almeida também não acredita que a atual tendência manifestada nas pesquisas de intenção de voto venha a se modificar nos próximos dias. "Ela está perdendo tempo de propaganda com algo que não lhe trará resultado", diz.

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