Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Alckmin, problema da baixa popularidade de Temer foi o impeachment

Em evento, o tucano também foi questionado sobre se tem planos de alterar o funcionamento do Supremo

Marcelo Osakabe e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 21h28

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira, 31, que um dos maiores fatores para a baixa popularidade do presidente Michel Temer, cujo arco de alianças, em grande parte, o PSDB herdou para o pleito deste ano, tem raiz no impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff. Segundo o tucano, sacar um chefe de Estado do poder no regime presidencialista "é um trauma".

Alckmin deu as declarações em um encontro com membros das juventudes partidárias de legendas que o apoiam, como PPS, DEM, PRB e PDT, na zona sul da capital paulista. "O problema do Temer, entre vários, é o impeachment. É obvio que impeachment é um trauma. O modelo presidencialista é a ditadura do mandato, tirar um presidente não é que nem no parlamentarismo", disse o tucano.

O PSDB, assim com os partidos do centrão e os demais que já declararam apoio ao projeto presidencial do ex-governador, foi um dos apoiadores do impeachment de Dilma em 2016. Alckmin, no entanto, tentou minimizar o fato. "O Temer não fui eu quem escolhi, foi o PT. E impeachment foi feito sob a égide do Supremo Tribunal Federal (STF)", disse.

Questionado sobre se acredita que o arco de alianças construídos, o mesmo da base do governo Temer, possa atrair para a sua campanha a alta rejeição do emedebista, Alckmin disse acreditar que não. "Acho que a população vai votar mais nas pessoas. Elas sabem que todos partidos estão fragilizados. Isso não é bom isso, esse personalismo, mas é momento que estamos vivendo. A coalizão é necessária pela fragmentação e também para governar", argumentou.

Mudanças no Supremo Tribunal Federal

No evento, o tucano também foi questionado sobre se tem planos de alterar o funcionamento do Supremo. Como mostrou o Estado, alterações, seja na forma de indicação, nas atribuições, na duração do mandato ou no número de ministros do STF fazem parte das propostas de pelo menos metade dos principais presidenciáveis.

"Entendo que podemos estabelecer limites, torna a justiça mais rápida e evita chegar tudo no supremo. O STF tem onze ministros, se tudo chegar lá, como vai dar conta de tudo isso?", criticou. "É evidente que é corte que deve ser mais constitucional. Essa é uma questão muito técnica, mas quanto mais estivermos na linha de corte constitucional, melhor. Aliás, para isso foi criado o Superior Tribunal de Justiça (STJ)."

Sem citar o deputado Jair Bolsonaro (PSL), o tucano ainda aproveitou para criticar uma de suas propostas recentes sobre o tema. "O que não tem cabimento é dobrar número de ministros do Supremo para ter mais amiguinhos lá. Foi o que Chávez fez na Venezuela, para comandar o Judiciário."

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