FELIPE RAU/ESTADÃO
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Ideal é que Aécio não seja candidato, diz Alckmin

Em entrevista à rádio Bandeirantes, o pré-candidato do PSDB disse que espera que a decisão parta do próprio tucano e seja anunciada 'nos próximos dias'

Pedro Venceslau e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2018 | 11h34

Atualizado às 23h46

Presidente nacional do PSDB e pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto, o ex-governador Geraldo Alckmin defendeu nesta quarta-feira  publicamente, pela primeira vez, que o senador Aécio Neves (MG) não dispute a eleição deste ano. Em resposta, Aécio afirmou ao Estado que sua candidatura será decidida “coletivamente” em Minas Gerais.

Nesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o senador pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça, com base na delação do Grupo J&F. O mineiro ainda é investigado em oito inquéritos na Corte. Aécio nega ter cometido atos ilegais.

Alckmin disse, em entrevista à rádio Bandeirantes, ser “evidente” que o melhor cenário para a sigla é que Aécio não concorra nestas eleições. O ex-governador paulista afirmou, contudo, esperar que a decisão parta do próprio senador e seja anunciada “nos próximos dias”.

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“Aécio sabe o que penso. É claro que o ideal é que não seja candidato, é evidente. Acho que ele mesmo, assim como tomou a decisão de se afastar da presidência do partido (quando surgiu a denúncia), tomará essa decisão. Vamos aguardar a decisão dele. Tenho certeza de que vai tomar e se dedicar à questão processual e à defesa.”

Na entrevista, Alckmin admitiu que o episódio é “muito ruim” e disse que cabe ao colega de partido demonstrar sua inocência. “O que se faz numa democracia: o Judiciário toma as medidas que tem que tomar, a pessoa se defende e é julgada”, afirmou o presidenciável, alvo da delação da Odebrecht, mas cujo inquérito foi enviado à Justiça Eleitoral em São Paulo. 

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Após a decisão da Primeira Turma do Supremo, deputados e líderes do PSDB passaram a pressionar Alckmin para evitar que o caso contamine a campanha presidencial. Conselheiros e aliados do ex-governador já vinham defendendo que ele usasse seu poder de veto para barrar o senador nas urnas, mas Alckmin resistia. Uma cláusula feita pelo próprio Aécio quando comandava o PSDB dá ao presidente do partido a prerrogativa de ter a palavra final sobre candidaturas nos Estados.

CENÁRIO EM MINAS

Mesmo correligionários leais ao senador mineiro reconhecem que a presença de Aécio no palanque poderia causar embaraços ao pré-candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia. Aécio, porém, resiste a abandonar a candidatura, embora aliados digam, reservadamente, que ele não deve concorrer neste ano.

Na noite desta quarta-feira, antes de participar de jantar no apartamento do deputado Fábio Faria (PSD-RN), Alckmin disse que vai procurar os tucanos de Minas para discutir o cenário eleitoral. Segundo apurou o Estado, o presidenciável afirmou a interlocutores que também iria esperar a “temperatura baixar” antes de voltar a tratar de uma candidatura de Aécio.

Nesta quarta-feira, ao Estado, o senador disse que tem “acompanhado o esforço” de Alckmin para fortalecer sua candidatura ao Planalto. “E torço para que ele tenha êxito, porque será o melhor para o Brasil. Quanto à minha candidatura, ela será decidida coletivamente em Minas Gerais, como sempre ocorreu e no momento certo”, afirmou Aécio.

O senador também voltou a se defender das acusações contra ele. Denunciado por tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato, ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, do Grupo J&F. “Sobre a denúncia, concordo com Alckmin que situações diferentes não devem ser comparadas sob o risco de serem cometidas graves injustiças. No meu caso, vou provar agora minha correção”, declarou o mineiro. 

ARTICULAÇÃO COM PSD

Ao mesmo tempo em que busca evitar a contaminação de investigações da Lava Jato à sua pré-candidatura, Alckmin tenta ampliar apoios. De imediato, o tucano investe numa articulação com o PSD. Alckmin jantou nesta quarta-feira, em Brasília, com a bancada de deputados do partido e o seu fundador, o ministro Gilberto Kassab, que já anunciou apoio à campanha do ex-prefeito João Doria (PSDB) ao governo de São Paulo. Agora, o PSD deve apoiar Alckmin.

Nas primeiras semanas fora do Bandeirantes Alckmin tem se dedicado a costuras políticas. Na semana passada, o ex-governador esteve com o presidente do PSC, Pastor Everaldo, mesmo após indicativo de que o partido cristão vai lançar o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro à Presidência. Nos bastidores, tucanos já dão como certas alianças com PTB, PSD e PPS. A ideia agora é investir em siglas que já tem pré-candidatos: além do PSC, o DEM (mais informações nesta página). / COLABOROU ELIZABETH LOPES

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