Para Aécio, presidente 'zomba dos brasileiros'

Tucano ataca fala de Dilma sobre FHC; para petista André Vargas, o PSDB tem 'pavor de comparação'

O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h09

Em sua página no Facebook, o senador mineiro Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e provável candidato ao Planalto em 2014, afirmou ontem que a presidente Dilma Rousseff "zomba da inteligência dos brasileiros" ao comparar os dados de seu governo com os do ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Para o tucano, o raciocínio da petista é incorreto porque "trata apenas de números absolutos, ignorando as gigantescas diferenças entre as conjunturas das duas épocas".

Aécio fez críticas à entrevista de Dilma publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo. A assessoria do senador mineiro já havia sido procurada pela reportagem na tarde de sábado, quando as declarações da presidente já eram públicas, mas a informação foi de que ele estava "incomunicável".

Na entrevista, Dilma afirmou que, em 30 meses de seu governo, foram criados 4,4 milhões de empregos no País, ante 824.394 novos postos de trabalho em todo o primeiro mandato de Fernando Henrique.

Outra comparação que irritou a oposição foi quando a presidente tocou no assunto da inflação. "Cumpriremos a meta de inflação pelo décimo ano consecutivo. Sabe em quantos anos o Fernando Henrique não cumpriu a meta? Em três dos quatro anos", disse a presidente. Para o senador, "fica mais uma vez evidente a obsessão do PT com o ex-presidente Fernando Henrique, especialmente no momento em que o seu governo copia várias das iniciativas do governo do PSDB".

Aécio reclamou também da posição da presidente em não atender ao pedido da oposição e de aliados de diminuir o número de ministérios de seu governo, que hoje possui 39 pastas. A gestão FHC chegou a criar novos ministérios, mas encerrou o mandato com 25 pastas, mesmo número do início do mandato.

Transparência. Ainda foi alvo das críticas do tucano "o pacto pela verdade", ideia que a presidente disse querer praticar com a sociedade brasileira. "Ela perdeu a oportunidade de dar um passo concreto na direção do pacto", escreveu o parlamentar mineiro, "porque a transparência é a principal aliada da verdade e o País continua esperando que sejam suspensos os sigilos decretados sobre financiamentos oficiais oferecidos para obras no exterior e os que cobrem os cartões corporativos da presidência mesmo dez anos depois de terem sido utilizados".

E concluiu dizendo que ficou o sentimento de que este "é um governo incapaz de novas iniciativas, refém das circunstâncias que o cercam" e "um governo que chegou ao seu final de forma extremamente prematura".

“Pavor” - O deputado André Vargas (PT-SP) minimizou as declarações de Aécio contra Dilma. Segundo ele, o PSDB “tem pavor de comparação”, pois o governo FHC não teria chegado “aos pés” das administrações petistas em relação à área fiscal.

“O Aécio defende o legado do Fernando Henrique, mas tem pavor de comparação. Como comparar uma época que não tinha investimento público, em que a cada crise no mundo o Brasil quebrava?”

Vargas também defende a posição da presidente de não ceder aos apelos para diminuir o número de ministérios, e alega que nenhuma das pastas foi criada “sem motivo”.

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