Rafael Arbex/ Estadão
Rafael Arbex/ Estadão

Haddad quer liderar frente de oposição ao governo Bolsonaro

Proposta foi acertada na primeira reunião da Executiva Nacional, que definiu como prioridade tirar Lula da prisão

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2018 | 16h16
Atualizado 31 de outubro de 2018 | 12h50

Detentor de 47 milhões de votos, o candidato derrotado do PT à Presidência, Fernando Haddad, terá a função de liderar e transformar em uma frente de oposição a Jair Bolsonaro (PSL) maior do que o PT a rede de apoios de políticos, personalidades e setores sociais que aderiram à sua candidatura.

Nesta terça-feira, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, admitiu que Haddad saiu das urnas como a grande liderança do partido depois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso em Curitiba.

“Haddad teve um papel muito importante neste processo, um papel maior do que o PT. O PT vai dar todas as condições para que ele exerça o papel de articulador para consolidar esta frente de resistência”, disse Gleisi depois de reunião da Executiva Nacional, a primeira depois do segundo turno.

A ideia é que a direção nacional delegue a Haddad poderes para rodar o País, falar com lideranças e personalidades de diversos setores e partidos contrários a Bolsonaro. 

Na reunião, Haddad defendeu a necessidade de manter a articulação com setores, principalmente da sociedade civil, que aderiram à sua candidatura e alargar o alcance do PT. Ele foi ovacionado, chorou duas vezes e foi interrompido por aplausos quando agradeceu pela confiança do partido, admitindo que o candidato “de todos” era Lula. 

Gleisi chegou a dizer que o processo que levou à eleição de Bolsonaro foi “eivado de vícios e fraudes”, mas não contestou o resultado da eleição.

O deputado Paulo Pimenta (RS), líder do PT na Câmara, disse que a bancada vai se reunir hoje para discutir qual será a estratégia de oposição no Congresso ainda antes da posse. Segundo ele, existe um “consórcio” entre Bolsonaro e o governo Michel Temer para votar ainda este ano projetos polêmicos como o da Escola Sem Partido e mudanças na Lei Antiterrorismo que podem criminalizar movimentos sociais.

Em outra direção, lideranças de PDT, PSB e PCdoB na Câmara se reuniram nesta terça-feira para tratar da formação de um bloco de oposição. “Estamos finalizando (as conversas). São três líderes que têm uma sinergia de trabalho já há algum tempo e nós estamos discutindo um procedimento de ações dentro de Congresso”, afirmou o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE). Segundo ele, a ideia é que o grupo atue de forma conjunta para fazer uma oposição “propositiva” ao novo governo.

Sobre o PT, o deputado disse que o grupo tem um modelo de oposição distinto. “Nós temos outro modelo de oposição. Um modelo construtivo para o País”, afirmou. “O PT tem um modus operandi próprio dele e nós respeitamos. Em momentos de embate aqui dentro, provavelmente estaremos juntos, mas o que não podemos aceitar é o hegemonismo que o PT quer impor aos demais partidos”, afirmou Figueiredo. “Não seremos, e nenhum dos partidos se propõe a ser, um puxadinho do PT”, disse.

Outra prioridade do PT é uma campanha nacional e internacional pela libertação de Lula. O partido teme que depois da posse de Bolsonaro piorem as condições carcerárias do ex-presidente. “Tememos inclusive pela vida do (ex-) presidente”, disse Gleisi, citando discursos de Bolsonaro sobre Lula, em que ele disse que o petista iria “apodrecer na cadeia”./COLABOROU CAMILA TURTELLI

 

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