Papéis comprovam ação de Dirceu, diz oposição

Para PSDB, DEM e PPS, documentos publicados pelo 'Estado' confirmam acusações contra ex-ministro; líder do PT diz que atuação foi dentro da lei

ROSA COSTA , DENISE MADUEÑO , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h06

A atuação de José Dirceu no comando da Casa Civil, exposta em documentos oficiais do Palácio do Planalto obtidos pelo Estado, confirma a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o mensalão era operado no coração do governo, segundo líderes da oposição no Congresso.

Reportagem publicada ontem pelo Estado, com base em correspondências confidenciais, bilhetes e ofícios cedidos com base na Lei de Acesso à Informação, expõe troca de favores entre governo e aliados, negociações de cargos por indicados políticos e ações que mostram o poder do então ministro, em contraste com os argumentos de sua defesa no processo do Supremo Tribunal Federal, de que ele não cuidava mais de temas partidários.

Os líderes no Senado do PSDB, Álvaro Dias (PR), e do DEM, José Agripino (RN), afirmaram que as revelações comprovam a acusação do deputado Roberto Jefferson (PTB), cassado em 2005 e um dos 37 réus no processo do mensalão, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha conhecimento de todas as iniciativas do ministro e de que Dirceu era o operador .

"Na verdade, quem tinha o comando era o presidente Lula, José Dirceu era o segundo", disse Dias. "Ele operacionalizava o que já tinha acertado com Lula." No mesmo tom, Agripino entende que Dirceu atuava com o conhecimento prévio do presidente. "O comandante do processo era José Dirceu com o aval de seu comandante, Lula."

Dias e Agripino argumentam que seria irreal imaginar que Dirceu encaminhava pedidos de nomeação, audiências nos ministérios e mantinha uma rede de informações sobre a atuação de outros integrantes do governo, como foi revelado na reportagem, "escondido" de Lula.

Os registros mostram ainda que a atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, na época alta funcionária do Ministério de Minas e Energia, foi investigada e questionada pela Casa Civil sobre contratos da empresa do marido com a estatal. "A cada dia vai se confirmando todo o esquema montado com o objetivo de tomar o poder e de se perpetuar a qualquer preço", avaliou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

'Normal'. Para o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), a atuação do ministro revelada nos documentos nada teve de irregular. Ele argumentou que, na época, a Casa Civil acumulava as funções da atual pasta de Relações Institucionais - que faz a ponte política do governo com o Congresso. "Era uma das funções legais, institucionais da pasta, manter as tratativas com o Congresso", explicou Tatto. O líder petista achou normal o ofício emitido pela Casa Civil sob o comando de Dirceu sobre "supostas irregularidades" entre Petrobrás e a empresa de Colin Foster, marido de Graça Foster. "Isso é corriqueiro na administração", afirmou.

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