Panfleto socialista com papel reciclado?

Recorrer a termos clássicos como se todas as ideias já estivessem lá, desde sempre, prontas para darem sustentação a discursos é uma estratégia de risco. Ainda mais associados ao termo "releitura", como fez Eduardo Campos ontem, ao dizer que a "sustentabilidade é uma releitura do socialismo".

ANÁLISE: Vanice Sargentini, professora doutora do departamento de letras e coordenadora do Laboratório de Estudos do Discurso (LABOR) da Universidade de São Carlos (Ufscar), O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h13

O socialismo clássico tinha seus fundamentos - luta de classe, direito aos bens de produção. Sua nova roupagem não é compatível como o discurso de outrora, mas mesmo assim é preciso muito esforço para "relê-lo" pela lente do marketing político (im)posto a partir do fim do século 20, que evita embates e privilegia a leveza. O prefixo "re", de "releitura", portanto, não dá conta das mudanças históricas, ainda que venha a ser escrito no papel reciclável da sustentabilidade.

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