Palanque do Pará une petista, DEM e filha de Chico Mendes

BELÉM - A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacaram ontem propostas da ex-ministra Marina Silva num palanque reforçado pela filha do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, e até mesmo por um dos adversários históricos dos petistas, o DEM.

RICARDO DELLA COLETTA, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h03

Ângela Mendes, filha do líder seringueiro considerado pela própria Marina como um de seus mentores, marcou presença em um comício realizado em Belém e somou à estratégia do comando da campanha de Dilma de blindar a petista de críticas contra seu governo na área ambiental. A presidente iniciou seu discurso relatando que Ângela pediu que ela "olhasse pela Amazônia" e que isso serviria para que a morte de seu pai não fosse em vão.

No Estado, o PT na chapa majoritária é aliado do DEM, partido que faz forte oposição ao governo no plano federal. O deputado Lira Maia é candidato pelos Democratas a vice de Helder Barbalho (PMDB) e o ex-deputado Paulo Rocha (PT) disputa o Senado. Maia não compareceu ao ato e alegou incompatibilidade de agenda, mas seu partido foi mencionado no comício que, segundo os organizadores, reuniu 20 mil pessoas no bairro Pedreira.

Tanto Lula quanto Dilma atacaram duas das bandeiras de Marina na área econômica: a garantia em lei da independência do Banco Central e a redução do protagonismo dos bancos públicos. "Tem gente achando que para o Brasil é preciso que o Banco Central tenha autonomia e que é preciso acabar com o poder dos bancos públicos", disse Lula. O ex-presidente alegou que os bancos públicos foram fundamentais para o País enfrentar a crise financeira internacional. "Entregar o Banco Central aos banqueiros é acabar de uma vez por todas com o direito da presidente de definir políticas para o País", declarou Lula. "Acabar com os bancos públicos acaba com a agricultura e com a indústria do País", emendou Dilma.

Marina foi praticamente o único alvo da presidente e de Lula. Sem mencioná-la, Dilma disse que não é "do tipo que muda de lado" e que quem não tem "força e determinação para ser presidente não dá certo". "Se não aguentaram um Twitter quanto mais uma manchete negativa", disse, em referência ao recuo de Marina na defesa de propostas da causa gay após queixas na rede social do pastor Silas Malafaia.

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