Paiva foi morto pela ditadura, diz Fonteles

O governo do Rio Grande do Sul entregou ontem à Comissão Nacional da Verdade cópias dos documentos encontrados na casa do coronel reformado do Exército Júlio Miguel Molinas Dias, assassinado no dia 1.º de novembro, quando chegava em sua casa, em Porto Alegre. Os arquivos foram recebidos pelo coordenador da comissão, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles.

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE , O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h03

Os documentos devem esclarecer dois episódios da ditadura: a morte do deputado cassado Rubens Paiva, em 1971, e o atentado ao Riocentro, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em 1981. O coronel era comandante do Destacamento de Operações e Investigações do 1.º Exército (DOI-RJ) durante a ditadura.

"Um documento como esse desmascara aquela versão do Estado ditatorial militar no sentido de que Rubens Paiva, entre tantos outros, eram foragidos. Mas eles foram, sim, mortos nas dependências do Estado", disse Fonteles.

Para a filha de Rubens Paiva, a psicóloga Maria Beatriz Paiva Keller, de 48 anos, o aparecimento da relação de itens de seu pai apreendidos comprova o que há 40 anos a família já suspeitava: o deputado foi morto nas dependências do Exército. "É uma materialização de um passado, de mais um episódio, interminável para muitas famílias, é mais um capítulo para a história."

A morte de Molinas Dias ainda é um mistério para a polícia gaúcha. Apesar de ter surgido uma nova hipótese para o assassinato - crime passional -, o delegado responsável, Luis Fernando Oliveira, disse que as investigações indicam tentativa de latrocínio. O delegado considera muito remota a possibilidade de uma execução ligada ao passado militar do coronel.

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