País precisa 'desesperadamente' de choque de credibilidade, diz jornal britânico

Em editorial, Financial Times afirma que governo Dilma precisa mudar e recuperar a confiança do setor privado

Fernando Nakagawa, correspondente , Agência Estado

28 de outubro de 2014 | 10h37

Londres - O jornal britânico Financial Times publica editorial na edição desta terça-feira, 28, em que defende mudanças urgentes nas políticas econômicas após a reeleição da presidente da República. "Dilma Rousseff deve agora traçar um novo curso para um país dividido que sofre de desaceleração da economia em meio a um ambiente global cada vez mais difícil. A necessidade de mudança é urgente", diz o jornal que diz que o Brasil "precisa desesperadamente de um choque de credibilidade".

O principal jornal de economia europeu defende que Dilma "precisa abandonar a retórica da luta de classes da campanha e realizar um esforço genuíno e sustentável para recuperar a confiança do sul do País". Ao lembrar que o sul brasileiro votou "esmagadoramente" contra a reeleição, o FT diz que sem o apoio da região "há pouca esperança de alcançar o maior investimento que o Brasil precisa".

Para amenizar essa divisão criada pelas eleições, o FT defende mudanças. "Para recuperar a confiança do setor privado, o Brasil precisa desesperadamente de um choque de credibilidade". O jornal diz que a agenda da presidente reeleita é "longa", mas a tarefa mais urgente é a nomeação de um novo ministro da Fazenda "com estatura e autonomia suficientes para resolver os problemas econômicos do Brasil". "Se ela não o fizer, os mercados financeiros irão forçar um ajuste. Os investidores não estão dispostos a dar o benefício da dúvida", diz o FT.

Além do editorial, o jornal publica uma ampla chamada na capa do jornal com foto de uma eleitora comemorando a reeleição. Há, ainda, uma reportagem que destaca a expectativa de que o segundo mandato de Dilma pode ter um tom mais "reconciliador" após a pequena vantagem nas urnas. Essa expectativa é compartilhada por analistas ouvidos pelo FT e acontece a despeito do forte ajuste dos preços dos ativos visto nessa segunda.

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