País deu asilo político a ex-líderes de ditaduras

Tanto na ditadura militar como na democracia, o Brasil deu salvo-conduto e asilo político para figuras envolvidas com regimes autoritários, como o almirante Américo Thomaz, presidente de Portugal de 1958 até a Revolução dos Cravos, em 1974, e o primeiro-ministro Marcelo Caetano, sucessor de Antonio Salazar no Estado Novo português.

Liz Batista, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2013 | 02h22

Em 1986, o Brasil abrigou durante meses o coronel haitiano Albert Pierre. Em 24 de fevereiro daquele ano, o coronel, acusado de mais de 500 mortes e de envolvimento em episódios de torturas, desembarcou em Fernando de Noronha (PE) trazido diretamente da Embaixada brasileira no Haiti.

Albert Pierre chefiou os Tonton Macoute, a temida polícia secreta haitiana, durante os anos da ditadura de Jean-Claude Duvalier (1971-1986), conhecido como Baby Doc.

O Supremo Tribunal Federal não concedeu a extradição do haitiano, mas ele não teve seu pedido de asilo concedido e teve de deixar o País.

Mas foi justamente na redemocratização, depois da ditadura militar de 1964, que o País abrigou um dos tiranos mais controvertidos da história recente da América Latina. Após 35 anos no governo, Alfredo Stroessner, o ex-ditador do Paraguai responsável por torturas, execuções, desaparecimentos e outras violações dos direitos humanos, conseguiu asilo no Brasil em 1989. Morou em Brasília até sua morte, em 2006.

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