Pagot diz ter ajudado siglas a arrecadar

O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot voltou a dar declarações sobre as relações entre empreiteiras e partidos políticos. Às revistas Época e IstoÉ, Pagot acusa políticos do PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

Pagot afirmou às duas revistas que o deputado José de Filippi Junior (PT-SP), responsável por arrecadar dinheiro para a então candidata à Presidência Dilma Rousseff, o procurou em busca de ajuda para conseguir doações para a campanha. Segundo ele, Filippi pediu a ele que buscasse recursos junto a entidades do setor da construção civil. Conforme a Época, como diretor do Dnit, Pagot tinha sob sua responsabilidade cerca de R$ 10 bilhões para gastar em milhares de obras em rodovias, executadas por empresas dessa área.

À IstoÉ, Pagot contou que, em meados de 2010, foi apresentado a Filippi no QG petista em Brasília. Disse ainda que apresentou para Filippi uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão. Segundo a reportagem, o ex-diretor identificou na prestação de contas do PT ao TSE ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a seu pedido. Elas teriam doado cerca de R$ 10 milhões.

Filippi admitiu à revista que foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição. "Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi."

Tucanos. Segundo a revista IstoÉ, Pagot também disse ter se sentido pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões para a construção do trecho sul do Rodoanel. Ele afirmou ainda que o governo do então governador José Serra (PSDB) teria usado a obra para abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência em 2010. "Veio procurador de empreiteira me avisar: 'Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.' Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin", disse ele à revista.

"Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra. Teve uma reunião no Dnit. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões."

Em nota enviada por sua assessoria, Serra qualificou as declarações de Pagot como "calúnia pré-eleitoral aloprada". O PSDB estadual também afirmou que a matéria da IstoÉ é caluniosa e que nem Alckmin nem Serras foram procurados pela reportagem.

A assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse que a acusação da revista é "improcedente e mentirosa" e afirmou que "serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calúnia".

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