Fábio Motta|Estadão
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Paes lança candidatura de Pedro Paulo à prefeitura do Rio

Em ato com ex-secretário, prefeito carioca faz discurso contra adversário Marcelo Crivella, a quem classifica como 'empregado' do bispo Edir Macedo; o candidato do PRB rebate dizendo que peemedebista é seu 'maior cabo eleitoral'

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2016 | 17h48

RIO - O prefeito Eduardo Paes (PMDB) lançou oficialmente, nesta quarta-feira, 20, a candidatura do deputado Pedro Paulo Carvalho à sua sucessão com uma série de ataques aos adversários, em especial ao senador e pré-candidato do PRB Marcelo Crivella, líder nas pesquisas. "Até gosto dele, me apoiou na eleição passada, mas é preposto empregado do bispo (Edir) Macedo. Nada contra a Igreja Universal, nem o bispo Macedo, mas não pode querer colocar um empregado na prefeitura", discursou Paes na convenção do PMDB.

Em resposta, Crivella fez uma ironia, lembrando conversa gravada entre Paes e o ex-presidente Lula, em que o prefeito diz que a cidade de Maricá "é uma merda". "Não vou falar mal do Paes. Ele é meu maior cabo eleitoral. Se eu tivesse que fazer um pedido a ele é que não esquecesse, de vez em quando, de dar uma ligadinha para o Lula", disse o senador.

Lei Maria da Penha. Secretário de Coordenação do Governo do prefeito do Rio, Pedro Paulo admitiu, em novembro do ano passado, ter agredido a ex-mulher Alexandra Mendes Marcondes, quando ainda eram casados, em 2010. Pedro Paulo pediu desculpas e atribuiu o caso a um “descontrole” do casal. 

A agressão ocorreu em fevereiro de 2010. Em depoimento à Polícia Civil, na ocasião, Alexandra disse que voltou mais cedo de uma viagem e encontrou roupas íntimas femininas em seu apartamento. Ao confrontar o marido, relatou ter sido derrubada no chão e agredida com chutes, socos e empurrões. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que ela teve um dente quebrado. Outro laudo informa que Pedro Paulo sofreu arranhões e tinha marcas avermelhadas. Ele não quis dar sua versão da briga na coletiva à imprensa em novembro. “Eu não vou fazer daqui uma discussão pericial. O laudo que ela teve e o que eu tive. Isso está nos autos. É um episódio superado. Muitas vezes acontecem nos lares desentendimentos e erros. Não vou fazer aqui uma discussão se ela me agrediu, se eu me defendi. Não cabe aqui dizer o que aconteceu, qual foi o nível desse descontrole.”

Para Pedro Paulo, o caso não se enquadraria na Lei Maria da Penha, que pune a violência doméstica, porque foi um “episódio isolado”. “Eu cometi um erro, traí a minha mulher. Imagina o calor dessa discussão. Associar isso à violência doméstica repetitiva, de um comportamento violento, eu não admito.”

Durante a convenção estadual do PMDB para a eleição de sua diretoria regional, também em novembro, o então governador do Rio, hoje licenciado por questões médicas, Luiz Fernando Pezão, classificou os casos de violência envolvendo Pedro Paulo como “fofocas” de campanha, que começam “cada vez mais cedo”. “Nossos adversários estão botando a cara mais cedo. No PMDB, a gente gosta de urna e respeita adversário, mas se quiser ir para o pau, nós vamos para o pau”, ressaltou. “Não temos medo de picaretas, de pastor de R$ 1,99”, disse, numa possível referência a Crivella.

 

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