Paes gasta 13% do que arrecada em pesquisas para campanha

O candidato do PMDB gastou 477,5 mil reais com pesquisas eleitorais

CARLA MARQUES, REUTERS

17 de setembro de 2008 | 18h06

O candidato do PMDB à prefeitura do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, gastou 477,5 mil reais com pesquisas eleitorais, o que corresponde a aproximadamente 13% do que arrecadou até agora para a sua campanha.     Veja também: Especial: Perfil dos candidatos  Você vai acompanhar o horário eleitoral para definir seu candidato ?  Paes parece ter herdado do atual prefeito Cesar Maia (DEM), com quem começou na política carioca e foi subprefeito de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, a obsessão por pesquisas para orientar seus passos na disputa eleitoral. De acordo com os dois relatórios de prestação de contas de campanha, entregues em agosto e setembro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paes já gastou 477.580 reais com pesquisas e testes eleitorais. O valor significa aproximadamente 13% do total arrecadado pelo candidato (3.735.550 reais). De todos os concorrentes à prefeitura carioca, além de Paes, apenas Jandira Feghalli (PCdoB) investiu 39.585 reais em sondagens. Para o cientista político, professor da Uerj e presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), Geraldo Tadeu, o crescimento eleitoral de Paes se deveu, em grande parte, ao uso intensivo de informação e de especialistas de diversos setores. Ele lembra que o candidato já declarou a concentração da campanha fora da Zona Sul para, conscientemente, atingir a faixa do eleitorado de menor renda, na qual predominava inicialmente o candidato Marcelo Crivella (PRB). "Desde setembro do ano passado, quando o IBPS começou a monitorar os candidatos, o Crivella tinha entre 35 por cento e 40 por cento das intenções de voto das categorias que recebiam de um a dois salários mínimos. O Eduardo Paes conseguiu crescer em cima do Crivella, conquistando justamente esse público", atestou. De acordo com recente pesquisa do Ibope, entre agosto e setembro, Paes cresceu 17 pontos percentuais entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, enquanto Crivella perdeu 3 pontos. O período foi marcado pelo acirramento das campanhas de rua e na televisão. Empatado tecnicamente com Paes na última pesquisa Ibope, Crivella também enfrenta outro obstáculo: a dificuldade de captar doações para sua campanha. No primeiro relatório entregue ao TSE, o candidato revelou ter recebido 167.055,20 reais apenas de pessoas físicas e em espécie. Na segunda declaração de gastos, prevaleceram as doações de pessoas físicas (172.535,20 reais) em relação às jurídicas (125 mil reais). O déficit de arrecadação entre Paes e Crivella é de 3 milhões de reais. O revés financeiro já obrigou o evangélico a enxugar sua equipe de marketing, capitaneada pelo publicitário Duda Mendonça. Segundo Geraldo Tadeu, além do orçamento mais expressivo, o peemedebista tem uma estrutura política mais forte do que o candidato do PRB. "Eduardo Paes tem apoio de três partidos fortes: o PMDB, o PP e o PTB. A coligação de Crivella é toda formada por legendas pequenas. Também há mais vereadores com Paes do que com Crivella. Sem contar que Paes tem suporte do governo estadual e de toda sua máquina, então consegue penetrar onde o governo tem influência, como nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento 24h), nas escolas estaduais...", afirma o cientista político. Para Geraldo Tadeu, a vantagem de Paes não tem relação com seus discursos e promessas políticas: "Não há qualquer elemento sedutor no discurso dele que justifique o crescimento. Na melhor das hipóteses, são as UPAs. Mas, em geral, a população de baixa renda não presta atenção em discurso, mas na imagem do candidato e num conjunto de fatores subjetivos".

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