Paes e Gabeira trocam acusações sobre apoios no segundo turno

Candidato do PMDB quis associar imagem de Cesar Maia a candidato do PV, que alfinetou adversário sobre Lula

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

12 de outubro de 2008 | 23h30

No primeiro debate de TV da eleição carioca, os candidatos do PMDB, Eduardo Paes, e do PV, Fernando Gabeira, tiveram discussões tensas em torno de temas como a prisão de políticos peemedebistas e a legalização das drogas, antiga bandeira do deputado verde. Paes associou Gabeira ao prefeito Cesar Maia, do DEM, que manifestou apoio ao PV no segundo turno, enquanto Gabeira ironizou o fato de o adversário, quando estava no PSDB, ter sido um ferrenho adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agora buscar o apoio do petista. O debate foi promovido pela Rede Bandeirantes. Veja também:Marta e Kassab priorizam troca de acusações em debate tenso Blog: Leia os principais momentos do debate  Galeria de fotos do debate  Enquete: Quem venceu o debate?   'Eu prometo' traz as promessas de Marta e Kassab Geografia do voto: Desempenho dos partidos nas cidades brasileiras Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos  "Várias pessoas de seu partido estão na cadeia", disse Gabeira, ao citar a prisão do ex-secretário de Saúde do Estado Gilson Cantarino, suspeito de integrar um esquema de desvio de recursos durante os governos de Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha. Cantarino já foi solto e garante não ter nenhuma ligação com os desvios."Não há ninguém do PMDB que me apóia que está na cadeia", reagiu Paes.  Ao responder a uma pergunta de Gabeira sobre segurança pública, Paes enfatizou a defesa de legalização das drogas feita pelo candidato do PV durante muitos anos. : "Nossa visão é que tem que combater a droga e o candidato Gabeira tem visão diferente". Gabeira respondeu dizendo que condecorado pelo governo Lula - "de que o senhor tanto busca o apoio", disse o verde - pelo destaque "na busca por uma política adequada de drogas". Em outro momento, Paes disse que o governador Sérgio Cabral, seu padrinho político, propôs um debate sobre o combate às drogas, "o que é muito diferente de fazer apologia da droga".  Gabeira cobrou de Paes informações sobre a carta enviada à primeira-dama, Marisa Letícia, pedindo desculpas pelos ataques que fez ao presidente Lula e especialmente ao filho do casal, Fábio Luiz Lula da Silva, durante a CPI dos Correios, quando o hoje peemedebista era deputado do PSDB e estava na linha de frente da oposição.  Paes reconheceu que fez uma carta pedindo desculpas a Dona Marisa pelas cobranças que fez, durante a CPI, para que Fábio Luiz fosse investigado, por causa de investimentos da Telemar na empresa Gamecorp, que tem entre os sócios o filho do presidente e da primeira-dama. "Foi um pedido de desculpas que fiz a uma mãe", disse o ex-tucano.  Acusação de preconceito A frase de Gabeira flagrada na última quarta-feira, quando disse que a vereadora Lucinha, do PSDB, tinha uma "visão suburbana", estava "de salto alto" e era "analfabeta política" e a agressão de um militante do PV por correligionários de Eduardo Paes, no último sábado, também foi motivo de confronto entre os dois candidatos.  Gabeira reclamou das manifestações contra ele feitas por peemedebistas durante o fim de semana, com camisetas e panfletos com inscrições "Gabeira não" e "sou carioca, sou suburbano. Respeite". Paes disse que o adversário foi preconceituoso. O candidato do PMDB disse que o militante verde agredido, Francisco Miranda, já respondeu a processos por estelionato, lesão corporal e desordem eleitoral. "Não se justifica agressão levantando ficha penal. Dá a entender que quando chegar ao poder vai espancar quem não tiver boa ficha", respondeu Gabeira. Os apoios dos dois lados foram motivo de ironias durante o debate. "O Cesar Maia está saindo por uma porta e entrando pela outra, apoiando sua candidatura. Aliás, um apoio escondido", disse Paes. O candidato do PV aguardou o momento certo para reagir. "É melhor muito melhor uma pessoa criativa do que uma pessoa obediente que vai atrás do presidente Lula em busca de uma foto", disse o deputado verde. Quando o assunto foi troca de legendas, Gabeira, que já esteve duas vezes no PT, ressaltou que deixou "um partido que estava no governo" e disse que ficou chocado quando Paes trocou o PSDB pelo PMDB. "A troca que mais me chocou no caso de Eduardo Paes é que ele era secretário-geral do PSDB, o segundo cargo do partido, e abandonou o barco", disse Gabeira. Paes ressaltou a parceria que, como secretário de Turismo e Esporte do Estado, fez com o governo federal e, segundo ele, viabilizou os Jogos Panamericanos no Rio. Diante da insistência de Paes em lembrar o apoio do prefeito Cesar Maia ao candidato do PV, Gabeira resolveu lembrar o início da carreira política do adversário, que trabalhou com o prefeito, que o levou para a política. "Eu vi o Cesar Maia no máximo cinco vezes. Você é cria dele. Tem o estilo dele", reagiu Gabeira. Paes disse que trabalhou na primeira gestão de Cesar Maia, mas que se afastou por discordar dos rumos da administração. FIM 

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