Padrinhos 'submergem' para não abafar pupilo, que vai hoje a Brasília

'É o Brasil de braços dados com São Paulo, e São Paulo de braços com o Brasil', diz Dilma ao ligar para Haddad

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h01

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu não ir ontem à festa pela vitória de Fernando Haddad. Segundo integrantes do PT, Lula não quis ofuscar o pupilo e optou por telefonar para parabenizar o prefeito eleito, sem dividir os holofotes.

A celebração continua hoje, em Brasília. A presidente Dilma Rousseff, que falou pelo menos duas vezes ontem com o antecessor durante a apuração dos resultados do 2.º turno, vai receber Haddad no Palácio do Planalto.

Tão logo soube que a vitória do ex-ministro da Educação estava definida, Dilma telefonou para dar os parabéns ao prefeito eleito. "É o Brasil de braços dados com São Paulo, e São Paulo de braços com o Brasil", disse a presidente a Haddad.

Dilma acompanhou pela televisão e pela internet as apurações das cidades que tiveram 2.º turno. Ao final das apurações, a presidente comemorou o resultado. A avaliação do Planalto é que, além da importância e da simbologia da eleição de Haddad em São Paulo, quebrando a hegemonia do PSDB na cidade, o governo poderia comemorar o fato de que a oposição teve redução de sua influência das regiões Sul e Sudeste do País.

Para o Planalto, o resultado das urnas não significou um julgamento do governo Dilma, embora tenham ocorrido derrotas em locais onde Lula e a própria presidente participaram ativamente da campanha. A oposição conquistou novas capitais, como Salvador e Manaus, mas o fato de a oposição ter perdido sua principal vitrine municipal, em São Paulo, deixou o governo satisfeito com as eleições.

No Palácio, a avaliação é a de que a derrota do tucano José Serra em São Paulo cria uma "situação muito favorável" para 2014, principalmente para o objetivo petista de tentar conquistar o governo estadual, desde 1995 sob o comando do PSDB.

Além da vitória na capital, o PT manteve sua hegemonia no ABC. Apesar da derrota em Diadema, o partido recuperou Santo André e manteve o comando de Mauá, sem falar na vitória já no 1.º turno em São Bernardo do Campo. Ainda na Grande São Paulo, o PT venceu com folga em Guarulhos. Em muitos dos casos, a aliança contou com o apoio do PMDB do vice-presidente Michel Temer.

Mas, para o Planalto, um ponto terá de ser redimensionado: a relação com o PSB. Está muito claro para o governo que o partido de Eduardo Campos vai demandar um novo tipo de relação. / TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA e JULIA DUAILIBI

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