Padrinho político de Paes, Cabral faz críticas a Gabeira

Governador insinuou que candidato do PV quer explorar agressão a um militante verde

Daniele Carvalho e Luciana Leal Nunes, de O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2008 | 19h03

O governador Sérgio Cabral, padrinho político do candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Eduardo Paes, fez neste domingo, 12,  as primeiras críticas diretas ao concorrente na disputa, Fernando Gabeira, do PV. Cabral insinuou que Gabeira pretende explorar na campanha o incidente ocorrido na manhã de sábado, quando peemedebistas agrediram um militante verde. Com a equipe de seu programa de TV, Gabeira foi à 29ª DP (Madureira), acompanhar o registro da queixa por agressão ao presidente do PV no bairro, Francisco Miranda. Segundo Miranda, correligionários de Eduardo Paes o jogaram no chão e rasgaram sua bandeira.   Veja Também: GEOGRAFIA DO VOTO: confira o desempenho dos partidos em TODO o País  Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?     "Lamento o fato de o candidato Gabeira ter ido à delegacia com microfone na lapela e câmera da campanha filmando. Achei uma forçação de barra. Gabeira é um homem tão inteligente, tão criativo. Não precisa disso", criticou Cabral. "A campanha se deu de maneira pacífica até agora e vai continuar dessa maneira", afirmou o governador.   Cabral foi o responsável por convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a gravar uma mensagem de apoio a Eduardo Paes, que irá ao ar hoje, quando recomeça o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.   Ontem, correligionários de Paes, intensificaram a campanha contra Gabeira nos bairros do subúrbio. Os simpatizantes de Paes distribuíram panfletos e usaram camisetas com a inscrição "Sou carioca, sou suburbano", "suburbano com muito orgulho" e com o nome de Gabeira riscado por um X.   As mensagens hostis são uma reação a declarações do deputado verde na última quarta-feira, quando, em uma conversa por telefone, disse que a vereadora Lucinha, do PSDB, tinha "visão suburbana", estava de "salto alto" e era "analfabeta política", por criticar a construção de um aterro sanitário no subúrbio de Paciência.   O marqueteiro da campanha de Gabeira, publicitário Lula Vieira, classificou as manifestações como "desespero dos adversários" e disse que, por enquanto, não levará a polêmica para o programa de TV que recomeça hoje. Na campanha de rua, no entanto, Gabeira reforçará o discurso de que é o candidato da cidade inteira.   O candidato, que divulgou uma nota em que pede desculpas à vereadora, estará hoje em Bangu e já anunciou que pretende dormir algumas noites na zona oeste, região que concentra grande número de eleitores de baixa renda e onde teve mau desempenho, com apenas 17,79% dos votos, atrás de Eduardo Paes (34,53%) e do candidato derrotado do PRB, senador Marcelo Crivella (23,03%).   "Gabeira vai dizer aos eleitores que é o mesmo candidato do primeiro turno, não mudou nada. Por enquanto, vamos deixar de lado essa discussão (sobre a campanha anti-Gabeira). As pessoas podem perceber que se trata de exploração política. Gabeira mantém a intenção de não brigar com o adversário, não cair na baixaria" disse Lula Vieira. O candidato do PV anunciará também que, se eleito, vai se instalar alguns dias na zona oeste e despachar de lá com os secretários.   Eduardo Paes afirmou que as manifestações no subúrbio contra Gabeira são "um movimento natural da sociedade" e que o adversário "demonstrou enorme preconceito contra o subúrbio e a zona oeste". Paes assistiu a uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, no Cachambi, zona norte, ao lado da vereadora Sílvia Pontes, do DEM, dissidente do partido, que apóia Gabeira. Sílvia carregava panfletos com a inscrição "sou carioca, suburbano, com orgulho e amor".   Cabral participou da Parada Gay, na praia de Copacabana, onde Gabeira também esteve, mas os dois não se encontraram. O candidato do PV se comprometeu "a manter na prefeitura o reconhecimento da união de pessoas do mesmo sexo entre os funcionários". Garantiu também que vai realizar um programa de inclusão dos travestis no mercado de trabalho.

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