Paulo Pinto/Divulgação
Paulo Pinto/Divulgação

Padilha diz que Alckmin faz 'povo de bobo'

Campanha petista no rádio acusa tucano de usar desconto no Bilhete Ônibus Metropolitano com propósito eleitoral; governador mira candidato do PMDB e repete ataques a cobrança de taxas no Sesi

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 09h52

São Paulo - O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, classificou como oportunista o anúncio feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) de dar desconto em viagens a usuários do Bilhete Ônibus Metropolitano (BOM) e disse que o tucano, candidato à reeleição, quer "fazer o povo de bobo" com a medida. Dentro da estratégia de intensificar os ataques aos seus principais adversários, Padilha também acusou o candidato do PMDB, Paulo Skaf, de "oportunismo", no horário eleitoral do rádio, da manhã desta sexta-feira, 12.


"Muito depois de eu ter apresentado o Bilhete Único Metropolitano, o Alckmin apresentou de forma oportunista o desconto no cartão BOM. Virou o cartão eleitoral do governador", afirmou Padilha. Antes, um locutor dizia que o anúncio havia sido feito "às véspera das eleição". "Aí é querer fazer o povo de bobo. Pior, pode até ser enquadrado como crime eleitoral", disse, com um som de sirene policial ao fundo.

A criação do Bilhete Único Metropolitano é a principal proposta da campanha petista na área de transporte público. Em 19 de agosto, Alckmin anunciou desconto de R$ 1,35 a usuários do BOM, quando fizessem integração com o Metrô ou com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A medida passou a valer a partir de 30 de agosto.

Estacionado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, Padilha mudou a abordagem de sua campanha na última semana, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamar da estratégia usada no Estado. Desde então, a propaganda intensificou os ataques a Alckmin, primeiro colocado nas pesquisas, e a Skaf, a quem Padilha tenta colar a imagem do "candidato do patrão".

No horário eleitoral desta sexta, o petista também acusou o adversário do PMDB de oportunismo. "Ele que é o representante dos ricos, das indústrias e das elites, me aparece de camiseta andando na favela. Ah, que forçação de barra", disse o locutor.

Alckmin. A tentativa de associar a imagem de Skaf, segundo colocado nas pesquisas, às elites foi repetida também pela campanha de Geraldo Alckmin. Após dedicar um funk que dizia que o adversário 'quer distância' de pobre, a propaganda tucana voltou a explorar a cobrança de mensalidades a alunos da rede Sesi. A entidade é ligada à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da qual o peemedebista foi presidente entre 2004 a maio deste ano. O ensino oferecido pelo Sesi está entre as principais bandeiras de Skaf nesta campanha.

A propaganda simulou a narração de uma partida de futebol em que Skaf é apresentado como o "capitão" do time. "O capitão Skaf chegou, diz que cobrar é com ele. Ele quer cobrar, ele vai cobrar o escanteio, o tiro de metas. Ele cobra tudo. Ele entende de cobrar. Já cobrou aquele taxa do Sesi, que era tudo gratuito", diz o locutor.

A cobrança de mensalidades foi instituída em 2006. De acordo com a tabela de 2014, o valor anual cobrado pode variar de R$ 490 a R$ 5,2 mil. A taxa muda conforme a modalidade de ensino e o vínculo de alunos com funcionários de entidades ligadas à Fiesp. Estudantes com renda familiar por pessoa igual ou inferior a R$ 622 podem pedir isenção do pagamento, segundo a entidade.

Skaf. A propaganda do candidato do PMDB apresentou suas propostas para a implantação do ensino em tempo integral, além de repetir críticas ao governo Alckmin, enumerando obras e projetos ainda não concluídos pela atual gestão.

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