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Padilha acredita que anonimato pode levá-lo ao segundo turno

Segundo petista, pessoas ainda não estão interessadas nas eleições mas acabarão vendo que 'suas propostas são as melhores'

Chico Siqueira, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 17h12

Ocupado desde a semana passada com um intenso corpo a copo para se mostrar aos eleitores, o candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, disse nesta sexta-feira, 19, que o fato de não ser conhecido pelo eleitor como candidato vai funcionar como uma ferramenta positiva para levá-lo ao segundo turno.

"No meu caso, isso (não ser reconhecido pelo eleitorado) é uma solução", respondeu ao ser perguntado se o anonimato não atrapalhava sua campanha. "É uma solução porque as pessoas, na reta final, vão começar a conhecer os candidatos e virão que minhas propostas são as melhores", completou, enquanto caminhava distribuindo santinhos pelo calçadão comercial de Araçatuba.

A exemplo do que ocorreu nesta sexta-feira em Araçatuba, Bauru e Presidente Prudente, e na semana passada em Marília e Ourinhos, em suas andanças, é comum Padilha não ser reconhecido pelos eleitores, que fazem cara de surpresa quando o candidato chega entregando santinhos, apertando a mão ou abraçando e beijando mulheres e crianças. Ao ser questionado sobre qual era a sensação de não ser reconhecido por muitos eleitores, o ex-ministro respondeu: "Muitos não, ninguém me conhece", afirmou. Qual a reação? "Eu me apresento, falo que sou candidato, entrego o panfleto com minhas propostas e digo que estou com Lula e Dilma", completa.

Padilha diz que a explicação está no fato de que os eleitores ainda não se interessaram, como deveriam, pelas eleições, por isso não sabem ainda quem são todos os candidatos. "As pessoas não estão assistindo ao horário eleitoral gratuito", completa. Mas, segundo ele, enquanto o dia da eleição se aproxima, mais aumenta o interesse dos eleitores em conhecer os candidatos e é então que ele leva vantagem sobre os concorrentes.

"Eu sou uma nova cara, pois é a primeira vez que sou candidato majoritário, comprometido com uma nova política. É uma candidatura nova, de renovação sendo apresentada à população. As pessoas estão cansadas de velhos rostos, como o do governador que está há 20 anos e perdeu a energia para mudar, e do outro candidato, que nos últimos 20 anos a única coisa que fez foi representar os mais ricos", disse se referindo ao governador Geraldo Alckmin e ao candidato do PMDB, Paulo Skaf.

Um dos assessores do candidato disse que no interior Padilha é mais conhecido que na Capital, e lembra que Haddad também era praticamente um anônimo antes de ser eleito. No entanto, como são eleições diferentes e faltam apenas duas semanas para a votação, Padilha pede ajuda da militância. "Tenho certeza que, com o aumento do interesse dos eleitores e com a militância nas ruas na reta final, vamos chegar ao segundo turno", afirmou.

Fábricas e comércio. Padilha passou a manhã desta sexta-feira visitando fábricas de calçados em Birigui, onde se reuniu com trabalhadores e anunciou que, se for eleito, vai reduzir a carga tributária do setor. "Vamos reduzir o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também para o varejo. A indústria já tem essa redução, que será estendida também para o varejo, para as lojas. Com isso, as indústrias fabricarão mais calçados, as vendas aumentarão nas lojas e mais empregos serão gerados", disse. "Também vamos reduzir o preço do pedágio e da tarifa de energia para as empresas, a exemplo do que é feito hoje pelo Governo Federal", disse.

Em um discurso improvisado sobre um carro de som, Padilha pediu empenho da militância para chegar ao segundo turno. "Estamos a duas semanas da eleição e há tempo para que possamos, nesta reta final, convencer o maior número de pessoas a votar com a gente", afirmou. "Os trabalhadores de Birigui precisam saber que o único governador que vai à porta das fábricas, somos nós, do PT", afirmou. Conhecida como a Capital do Calçado Infantil, Birigui, de 110 mil habitantes, tem 19 mil trabalhadores em suas 250 fábricas de calçados infantis e femininos.

Depois de Birigui, Padilha visitou Araçatuba, onde fez corpo a corpo no calçadão comercial e voltou a criticar o governador Geraldo Alckmin pela crise hídrica em São Paulo. "A situação é uma irresponsabilidade do atual governador", disse ele em coletiva. "Há dez anos as obras já estavam listadas e não fizeram as obras. Vou tirar todas as obras do papel porque tem dinheiro para isso - a Sabesp lucrou R$ 2 bilhões em apenas um ano", explicou. "É possível tirar, e mais do que isso, dar redução de impostos para os produtores agrícolas, para os empresários, para os donos de condomínio que utilizem água de reuso e que fazem a captação pluvial para não disputar com a água que chega na casa, no hospital, no trabalho das pessoas", comentou.

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