Dida Sampaio/Estadão - 26/10/2021
Dida Sampaio/Estadão - 26/10/2021

Pacheco sai em defesa das urnas eletrônicas após Bolsonaro propor apuração paralela por militares

Presidente do Senado afirma 'não ter cabimento' levantar dúvida sobre as eleições no Brasil

Giordanna Neves e Isabela Mendes, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 13h05

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), saiu em defesa nesta quinta-feira, 28, da Justiça Eleitoral e das urnas eletrônicas após o presidente Jair Bolsonaro (PL) sugerir uma contagem paralela de votos controlada pelas Forças Armadas. De acordo com o parlamentar, que também preside o Congresso Nacional, "não tem cabimento levantar qualquer dúvida sobre as eleições no Brasil".   

"As instituições e a sociedade podem ter a convicção da normalidade do processo eleitoral. A Justiça Eleitoral é eficiente e as urnas eletrônicas confiáveis", escreveu Pacheco no Twitter.

Em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 27, para defender o que chamou de “liberdade de expressão”, Bolsonaro levantou também novas suspeitas sobre as urnas eletrônicas. “Não precisamos de voto impresso para garantir a lisura das eleições”, afirmou Bolsonaro, ao destacar que as Forças Armadas apresentaram sugestões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Como os dados vêm pela internet para cá e tem um cabo que alimenta a sala secreta do TSE, uma das sugestões é que, nesse mesmo duto que alimenta a sala secreta, seja feita uma ramificação um pouquinho à direita para que tenhamos do lado um computador das Forças Armadas, para contar os votos no Brasil”, emendou. Em seguida, estimulou a desconfiança no processo. “Dá para acreditar nisso, uma sala secreta onde meia dúzia de técnicos diz ‘Olha, quem ganhou foi esse’?”

O presidente transformou o Salão Nobre do Planalto em palco de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), à imprensa, e insistiu na retórica anti-Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Batizado de “ato cívico”, o evento foi organizado pelas bancadas evangélica e de segurança pública.

Pacheco saiu em defesa também da Corte eleitoral. "Ainda assim, o TSE está empenhado em dar toda transparência ao processo desde agora, inclusive com a participação do Senado", afirmou. "Não tem cabimento levantar qualquer dúvida sobre as eleições no Brasil. O Congresso Nacional é o guardião da democracia!", completou.

No evento no Planalto, Bolsonaro, além de defender a presença dos militares na apuração dos votos, disse que a possível suspeita dos resultados eleitorais poderia acontecer em relação à disputa presidencial e legislativa. "Não pensem que uma possível suspeição de uma eleição vai ser apenas no voto para presidente, vai entrar para o Senado, a Câmara, se tiver, obviamente, algo de anormal", afirmou Bolsonaro.

O presidente também voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. Ex-presidente do TSE, Barroso disse na semana passada que há uma tentativa de se usar as Forças Armadas para desacreditar o processo eleitoral brasileiro.

Depois de um período de pacificidade diante das Instituições brasileiras, Bolsonaro voltou a atacar ministros da Suprema Corte e a colocar em xeque os resultados eleitorais. Como avaliado por especialistas ao Broadcast Político, as movimentações do presidente refletem a tentativa de unir sua base eleitoral e reforçar a presença no segundo turno das eleições.

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