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'Ovelha negra' do PSB tem apoio de Dilma para vencer tucano na Paraíba

Ricardo Coutinho (PSB) aparece com 53% das intenções de votos, contra 47% de Cássio Cunha Lima (PSDB), em pesquisa Ibope

Adriana Carranca - Enviada Especial a João Pessoa, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 19h55

Com apoio declarado ao tucano Aécio Neves nas eleições à Presidência, o PSB enfrenta o PSDB no 2.º turno da disputa pelo governo da Paraíba com o apoio do PT. Foi o primeiro Estado em que a Executiva Nacional do partido permitiu a coligação com petistas, contrariando a aliança na esfera federal. Ricardo Coutinho (PSB) enfrenta hoje nas urnas uma votação acirrada pela reeleição contra o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). Os dois são antigos aliados.

Cunha Lima busca o terceiro mandato como governador, cargo que já foi de seu pai, Ronaldo Cunha Lima. Cassado em 2009 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), sob acusações de compra de votos, ele apoiou o hoje rival Coutinho na campanha de 2010, contra o PMDB, que perdeu do pessebista e agora o apoia.

A Paraíba é um dos mais emblemáticos exemplos da salada partidária que se tornou a política desde que o Congresso alterou a Constituição, em 2006, derrubando a exigência de os partidos reproduzirem nas eleições estaduais as coligações feitas para a disputa presidencial.

Desta forma, deputados federais montaram comitês segundo as próprias convicções. Aguinaldo Ribeiro, do PP, mandou imprimir cartazes com a presidente Dilma Rousseff, que tem seu apoio na eleição para a Presidência, ao lado de Cunha Lima (PSDB), seu candidato ao governo paraibano. Já Efraim Filho (DEM) fez campanha no 2º turno para Aécio Neves e o pessebista Coutinho, contrariando a decisão do diretório estadual de apoiar Dilma. Mesmo cassado, Cunha Lima nunca se afastou da política. Protegido por recursos, se candidatou ao Senado em 2010 e foi eleito. Enfrentou uma batalha judicial, até agora favorável a ele. Como os oito anos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa começam a contar a partir da eleição ao mandato do qual foi cassado, de 2006, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que ele poderia se candidatar ao governo este ano.

Pragmatismo. “Estas eleições na Paraíba seguem os padrões das últimas, com aliados que viram inimigos e vice-versa’’, diz o professor de ciência política da Universidade Federal da Paraíba e coordenador do Núcleo de Pesquisa Aplicada em Políticas Governamentais, Italo Fittipaldi. Na hora do voto, diz, o paraibano é pragmático. "A discussão federal não conta localmente. A explicação é que você tem aqui um mercado interno muito pequeno, em que o grande empregador é o Estado. Parte do eleitorado, principalmente a classe média que não encontra colocação, vota em quem acredita ser capaz de ofertar mais vagas no setor público."

O setor público emprega 35,5% dos paraibanos, mas o Bolsa Família chega a 40% da população e também tem peso nas urnas.

PESQUISA IBOPE

Na última pesquisa Ibope, os dois candidatos ao governo da Paraíba chegam à véspera da eleição tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, de 3 pontos percentuais. Ricardo Coutinho (PSB) aparece numericamente à frente na disputa, com 53% das intenções de votos válidos, contra 47% do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que tenta o terceiro mandato.

No levantamento anterior, divulgado em 17 de outubro, Coutinho e Cunha Lima apareciam com exatamente os mesmos percentuais de agora. É uma das disputas mais apertadas do Brasil. 


No primeiro turno, Cássio venceu Coutinho com vantagem de apenas 1,4 ponto percentual – 47,4% contra 46%, respectivamente.

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