Os 'Edsons' na retaguarda eleitoral de SP

Edson Aparecido (PSDB) e Edinho Silva (PT) agem nos bastidores e travam um embate pelo apoio de partidos na disputa de 2014 no Estado

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h18

O lançamento extra-oficial da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo paulista em 2014 pelo PT, feito durante um evento no dia 9 em Bauru com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi uma espécie de marco inicial da campanha para o Palácio dos Bandeirantes.

Com a indicação na seara petista do provável adversário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que disputará a reeleição, dois Edsons entraram em cena nos bastidores para selar a construção das chapas que devem polarizar a disputa.

Ex-comunista de matriz stalinista e tucano desde a fundação do PSDB, o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, Edson Aparecido, de 55 anos, trava um embate com o ex-simpatizante trotskista e devoto da Teologia da Libertação, Edson Antonio da Silva, o Edinho, 48 anos, presidente do PT paulista, pelo apoio de partidos e caciques para as respectivas futuras candidaturas.

"Em 2010 nós saímos atrasados com o (Aloizio) Mercadante (que disputou o governo paulista). Isso criou um problema grave no Estado e inviabilizou um segundo turno", avalia Edinho Silva. Naquele ano, o PT esperou até abril por uma possível candidatura do ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, em São Paulo, o que acabou não ocorrendo.

Quando finalmente o partido decidiu-se por Mercadante, quase todos os partidos já estavam comprometidos com Alckmin, que venceu a eleição.

Em função do cargo que ocupa, o Edson tucano é mais cauteloso ao falar sobre 2014 e faz questão de lembrar que divide essa tarefa com o presidente do PSDB paulista, o deputado federal Duarte Nogueira, de Ribeirão Preto. Mas reconhece que as articulações estão se afunilando "nos horários de almoço e depois do expediente".

Os principais alvos de ambos nesse momento são siglas que estão acolhidas tanto no governo estadual como no federal: PR, PDT, PRB e PP.

"O partido no Estado nem sempre fala a mesma língua que o diretório nacional. Nem todos os dirigentes partidários locais têm independência para negociar, mas é forte a tese de que eles precisam de palanques fortes aqui para formarem boas bancadas na Câmara dos Deputados", diz o Edson tucano.

"Para enfrentar a máquina em São Paulo, temos que colocar o Estado como prioridade na construção da tática nacional. Com a definição de Padilha, vamos intensificar as conversas com os partidos", revela o Edinho petista.

Conta favorável. A contabilidade nesse momento é amplamente favorável ao governador paulista. Alckmin já conta com os apoios do DEM, PPS e PTB. E espera receber a adesão do PSB de Eduardo Campos e mais duas legendas em fase final de criação: Pros e PS - Partido da Solidariedade, nova sigla que está sendo criada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho. Já Padilha só conta nesse momento com o apoio fechado do PC do B.

Questionado sobre a provável superioridade de Alckmin no quesito tempo de TV, o Edson tucano desconversa. "Antecipar a eleição é uma estratégia histórica do PT. Estamos focados na gestão."

PR. Em alguns momentos,o encontro entre gestão e eleição é inevitável. Na última quinta-feira, por exemplo, Alckmin transformou a assinatura de um acordo administrativo entre o Governo de São Paulo e a União em palanque para o PR, que comanda o Ministério dos Transportes do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na ocasião, o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR),que é aliado do PT e foi suplente de Marta Suplicy na campanha ao Senado em 2010,sentou na mesa ao lado do governador e recebeu afagos públicos.

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