Os dilemas de Dilma entre índios, PT e o agronegócio

CENÁRIO: Roldão Arruda

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h01

Os números não depõem a favor da presidente Dilma Rousseff na questão das demarcações de terras indígenas. No quadro comparativo com as homologações de territórios feitas por todos os presidentes (veja ao lado) desde 1985, ela perde para todos.

Para ter uma ideia melhor, basta compará-la com o campeão das demarcações, o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele assinou decretos de homologação de 41 milhões de hectares de terras para os indígenas. Dilma ainda está longe de um milhão de hectares.

É claro que os números de FHC cobrem oito anos e Dilma nem chegou à metade do terceiro. Mas ela também não resiste à comparação com Fernando Collor e Itamar Franco, ambos com menos de dois anos. O primeiro demarcou 26 milhões de hectares; e o segundo, outros 5 milhões.

É importante notar, porém, que os antecessores de Dilma demarcaram, quase sempre, áreas de baixa densidade demográfica e de pouco interesse para o agronegócio, localizadas na Amazônia Legal - onde estão 98,4% dos 112 milhões de hectares demarcados.

O problema de Dilma é que as grandes demandas agora não estão voltadas para a Amazônia. Os índios querem reaver territórios de regiões com maior população, preço da terra mais elevado e resistência mais organizada.

Há que se considerar outros dois fatores. O primeiro é o seu partido, o PT, que caminha decidido para o centro, aliando-se, por exemplo, com a bancada ruralista. O segundo fator está na economia. A agropecuária foi um dos pontos altos da economia no primeiro trimestre: cresceu 9,7% ante o anterior. Ela segura a balança comercial do País e empurra o PIB.

Será que Dilma está disposta a criar algum atrito com o setor?

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