Os cinco dias de candidato do ministro Aldo

Ao desistir, ele teve a garantia de Dilma de que será o ministro da Copa e da Olimpíada de 2016

PEDRO VENCESLAU , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h19

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B) anunciou com pompa e circunstância no sábado, 12, que deixaria o governo Dilma Rousseff no fim do ano para disputar o governo paulista. Na quinta-feira passada, reuniu a imprensa para avisar que tinha mudado de ideia. Nesses cinco dias de duração, a brevíssima candidatura intensificou um ciclo de reuniões entre dirigentes do PC do B e o núcleo político do Palácio do Planalto que começara há cerca de um mês, quando a presidente Dilma Rousseff foi informada da saída do ministro.

Na ocasião, Aldo disse a Dilma que se sentia isolado na defesa da Copa do Mundo no governo e avisou que seria candidato, mas não especificou a qual cargo.

A presidente tentou demovê-lo da ideia e prometeu mobilizar seus ministros para rebater as críticas da imprensa e da população sobre o cronograma de obras dos estádios, dúvidas sobre o legado dessas obras, preços dos ingressos, embates com a FIFA e problemas de mobilidade nas cidades, entre tantas outras polêmicas.

Aldo não mudou de ideia nem depois de receber um telefonema do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Substituto. Aliado histórico do PT, o PC do B passou então a reivindicar a prerrogativa de indicar o sucessor (ou sucessora) do ministro na pasta, que terá grande visibilidade no ano que vem. Três foram as opções apresentadas: a senadora do Amazonas Vanessa Grazziotin, o senador cearense Inácio Arruda e a deputada federal gaúcha Manuela D'Ávila. Um dirigente do partido relata que a preferência do PC do B era por Vanessa, que tinha mais quatro anos de mandato no Senado e não corria o risco de ficar "ao relento" como o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que deixou o cargo em 2011 após suspeitas de corrupção na pasta, que acabaram arquivadas pela Comissão de Ética da Presidência. No ano anterior, Orlando Silva havia desistido de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a pedido da presidente Dilma, para permanecer no ministério.

A presidente sinalizou que aceitaria a indicação de Vanessa Grazziotin e prometeu que o ministério ficaria na cota do PC do B. Enquanto isso, Aldo passou a costurar sua candidatura ao governo de São Paulo com a cúpula nacional do partido.

A ideia foi bem recebida. Ainda que não se concretizasse, a opção Aldo serviria como instrumento de pressão para que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato pelo PT, abrisse uma vaga para o PC do B na chapa majoritária - o cargo de vice ou o Senado.

Essa estratégia mostrou-se bem sucedida em 2012, quando os comunistas ensaiaram a candidatura do músico Netinho de Paula a prefeito, mas desistiram quando emplacaram Nádia Campeão como vice de Fernando Haddad.

O surpreendente anúncio da candidatura de Aldo ao governo paulista no domingo pegou Padilha e a presidente Dilma de surpresa. O PT paulista passou, então, a pressionar o PC do B para que recuasse. Caso contrário correria o risco de entrar a sozinho na disputa em 2014.

O desfecho da novela aconteceu na quinta-feira no Palácio do Planalto. Depois de um encontro entre Dilma, Aldo e o presidente da Federação Internacional do Desporto Universitário, Claude-Louis Gallien, a presidente pediu que o ministro ficasse na sala.

Ministro da Olimpíada. Em uma conversa de meia hora, prometeu que ele seria o ministro da Copa e permaneceria no cargo se ela fosse reeleita. Ou seja: ele seria também o ministro da Olimpíada de 2016. Aldo Rebelo, então, finalmente cedeu, mas a negociação entre o PC do B e o PT em São Paulo ainda continua congelada.

"Não existe alinhamento automático. Temos pontes com o Paulo Skaf (presidente da Fiesp e candidato do PMDB ao governo paulista) e com o Gilberto Kassab (ex-prefeito de São Paulo e candidato do PSD). São todos candidatos de oposição ao governo Geraldo Alckmin", diz Orlando Silva, presidente do PC do B de São Paulo, mantendo o suspense e a ameaça.

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