Orlando Silva sai sob aplausos e recebe elogios

Durante cerimônia, presidente Dilma deixa claro que vai preservar aliança com o PC do B

TÂNIA MONTEIRO , EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2011 | 03h06

De volta ao Planalto cinco dias depois de ter sido afastado, Orlando Silva fez ontem um discurso de despedida do cargo marcado por declarações de "inocência". Na cerimônia, jurou inocência por três vezes e foi aplaudido de pé pela claque levada pelo PC do B, seu partido, para prestigiar o evento, inclusive pela presidente Dilma Rousseff. Em sua fala, ela defendeu Orlando, afirmando que ele não perde a sua confiança e fez elogios ao PC do B.

"Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental", declarou Dilma, sem cobrar do partido ou do novo ministro, Aldo Rebelo, uma "faxina" na pasta. Aldo, por sua vez, reconheceu que o PC do B "não está acima das críticas, nem da fatalidade humana do erro".

Aldo falou ainda em "corrigir qualquer desvio partidário, público ou privado" e disse que Orlando, que anunciou que será candidato nas eleições de 2012, "seja vítima das consequências da luta social, da luta política e da luta de ideais". Em entrevista, depois, reiterou: "Não sou inimigo das ONGs", explicando que sua prioridade é trabalhar com órgãos do governo.

Cerimônia. A eclética plateia que compareceu à cerimônia reunia desde Pelé, passando pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por governadores como Eduardo Campos (PE) e Teotônio Vilela (AL), além do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O governador do DF, antecessor de Orlando e que também está no centro das acusações de desvio de verba no programa Segundo Tempo não compareceu à posse.

Dilma disse que o novo ministro deverá estabelecer "relações claras" com as organizações envolvidas na realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Com voz ainda fanhosa pela gripe, a presidente Dilma confessou que a cerimônia não estava em seus planos e nem nos planos do governo. É que ideia da presidente, depois de perder cinco ministros em quatro meses, era só fazer novas mudanças na reforma ministerial prevista para o início do ano que vem, para substituir os ministros-candidatos.

A presidente fez questão também de elogiar Aldo Rebelo, a quem, erroneamente, chamou de Aldo Rabelo. "Experiente, sério, qualificado, líder reconhecido, defensor corajoso de opiniões fortes dos interesses nacionais, e cidadão respeitado por seus pares, independente do partido", enumerou. "Estou certa que ele saberá empreender, realizar e, quando for o caso, negociar busca de soluções em que todos ganhem, principalmente e especialmente o Brasil e o povo brasileiro", comentou, reiterando, o recado que já havia dado à Fifa de que as leis brasileiras, como a meia entrada para idosos, terão de ser respeitadas na Copa.

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