Ordem para comissão é ignorar militares

O Planalto não quer polemizar com militares da reserva que têm atacado a Comissão da Verdade e até a presidente Dilma Rousseff, pela escolha dos nomes da comissão, basicamente pessoas oriundas da esquerda.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2012 | 03h05

Ao contrário do episódio anterior, quando os Clubes Militares redigiram manifesto contra as declarações de duas ministras, que pediam a revisão da Lei de Anistia, exigindo que Dilma se posicionasse, e atacaram o ministro da Defesa, Celso Amorim, desta vez o Planalto optou por ignorar protestos.

Na vez anterior, Dilma exigiu até que os que assinaram manifesto contra o governo fossem punidos, por considerá-lo ofensivo. A decisão criou uma saia-justa para os comandantes, que fizeram reuniões com a reserva em Brasília e no Rio, mas não aplicaram punições.

A presidente entende que o trabalho agora é com a Comissão da Verdade e não há mais o que falar. Se os militares quiserem, que procurem a comissão. O Planalto não deu importância nem sequer à comissão da verdade paralela, criada pelo Clube Naval para acompanhar os trabalhos em Brasília, rebater ataques e disponibilizar assessoria jurídica para orientar militares que forem convocados a depor.

Nem mesmo as últimas declarações, até a do ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves publicada ontem pelo Estado, quando ele disse que a Comissão da Verdade é "uma moeda falsa, porque só tem um lado", e que Dilma deveria olhar para o futuro e não mais para trás, mereceram atenção do Planalto. A estratégia é ignorar falas dos militares da reserva.

Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica também estão calados, apesar de incomodados com as reticentes declarações. O comando do Exército, por exemplo, ao contrário do procedimento rotineiro, não incluiu o artigo do ex-chefe do Estado Maior da Defesa e general de Exército da reserva Rômulo Bini, que pedia o fim do silêncio para que os militares saíssem em defesa da categoria. / T.M.

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