Oposição vê manobra do Planalto para impedir depoimento na CPI mista

Líderes querem que seja aberta investigação para apurar suposta adulteração de atestado médico

Ricardo Brito e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 17h04

Brasília - Líderes da oposição que compõem a CPI mista da Petrobrás querem que seja aberta uma investigação para apurar uma suposta adulteração do atestado médico encaminhado nesta quarta-feira, 22, pelo diretor da Petrobrás José Carlos Cosenza. Os parlamentares consideraram que Cosenza deixou de depor nesta tarde por uma "manobra" do Palácio do Planalto. 

"Há uma séria desconfiança de que é uma doença pré-eleitoral", disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). O atestado informa que o diretor teve uma crise de hipertensão.

O atestado médico entregue à CPMI teve a doença "acrescentada". No documento original, que foi protocolado na comissão às 9h30, não constava a doença que justificava a ausência de Cosenza de comparecer para depor nesta tarde. O atestado assinado pelo médico José Eduardo Couto de Castro, com data desta terça, estava escrito apenas que o paciente teve "intercorrências clínicas" que justificaram o afastamento dele por 48 horas. 

A oposição quer a verificação da autenticidade do atestado. "A CPI está fazendo o jogo do Palácio do Planalto. Dilma não pode perder um ponto porcentual na pesquisa", concluiu Mendonça. 

O líder do PP na Câmara, deputado Rubens Bueno, afirmou que o depoimento deste tarde poderia esclarecer porque Cosenza teve duas reuniões e fez dezenas de ligações telefônicas para seu antecessor, Paulo Roberto Costa, após assumir o cargo. 

Para Bueno, houve adulteração do atestado, uma vez que a Classificação Internacional de Doenças (CID) foi acrescentada à caneta e com letra diferente depois da divulgação do protocolo. O líder pediu que um exame grafotécnico verificasse a autenticidade documento. "O PT e seu governo têm muito a esconder", declarou o deputado, afirmando que existe uma "blindagem" para esconder o "mar de lama que tomou conta da Petrobrás".

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