Oposição vê incoerência em falas da presidente

Já parlamentares da base aliada, sobretudo o PT, saíram em defesa de Dilma e afirmaram que declaração 'moderada' foi 'sensata e coerente'

ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h05

A reação da presidente Dilma Rousseff quando questionada sobre a violação dos direitos humanos em Cuba mobilizou a oposição e organizou a linha de defesa dos petistas.

O presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE) afirmou que vê com "preocupação" a postura adotada pela presidente Dilma na ilha onde a ditadura se perpetua há mais de 50 anos. O tucano entende que a presidente está sendo, no mínimo, incoerente com a posição que adota no Brasil. "Ao mesmo tempo que aponta numa direção, ela caminha em outra direção oposta ao justificar a ditadura Castrista", alegou.

O líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), afirmou que a manifestação era "algo vergonhoso para a diplomacia brasileira". "A presidente entende que, se for de esquerda, não é ditadura, pode matar, como tem ocorrido naquele país", disse. No mesmo diapasão foi o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA). "A presidente está preocupada é em encobrir as graves violações de direitos humanos que existem em Cuba, porque esse país é governado por pessoas aliadas a ela."

Em 2010, a oposição criticou o silêncio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita oficial a Cuba após morte de um preso político.

Linha de defesa. O PT reagiu em bloco e apoiou a presidente. "A declaração é sensata e correta. Realmente há violação de direitos humanos em todos os países e a exigência de cumprimento dos direitos humanos também tem para todos os países. Não tem de se fazer uma luta ideológica, mas continuar na exigência do cumprimento", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

O líder da sigla no Senado, Humberto Costa (PE), considerou "moderada" as palavras de Dilma. "É uma fala adequada ao posicionamento que o Brasil tem em relação a toda a América." O petista, no entanto, criticou o embargo americano àquele país, por entender que não se trata mais de um problema político ou ideológico mas, sim, "uma questão de humanidade".

Os parlamentares da base governista também consideraram as declarações coerentes. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), disse concordar com a decisão de Dilma de não usar o discurso em defesa dos direitos humanos para "sacrificar nenhum país do mundo". "Todos os países têm problemas de direitos humanos, Cuba tem problema, o Brasil tem um ministério de direitos humanos para evitar que isso ocorra." Com o discurso planejado, Jucá foi diplomático: "Não quero fazer comentário sobre política interna de outro país. Deveríamos festejar o fato de o Brasil conceder visto a todos que pediram e não discutir a agenda da presidente."

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