Oposição vai governar 1 em 5 eleitores

Enquanto aliados vão assumir cidades com 72% do eleitorado, PSDB, DEM e PPS obtêm a metade do resultado registrado em 2004

DANIEL BRAMATTI, AMANDA ROSSI, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h09

A eleição de 2012 é a segunda consecutiva em que os principais partidos que hoje fazem oposição ao governo federal encolhem em tamanho e importância nos municípios. Em oito anos, PSDB, DEM e PPS perderam 864 prefeitos e passaram a governar uma fatia do eleitorado 50% menor.

Juntas, essas três legendas elegeram no mês passado prefeitos que governarão 20% do eleitorado a partir de 2013. O PSOL, que não existia em 2004, também é hoje de oposição, mas sua inclusão na conta não altera o resultado, pois vai governar apenas 0,2% dos eleitores.

Nas eleições de 2008, PSDB, DEM e PPS conquistaram o direito de governar 28% dos eleitores. Esse índice já era inferior ao obtido em 2004, quando as siglas venceram em cidades que somavam 40% dos eleitores.

Em número de prefeitos, a crise dos três partidos também se revela, mas em menor grau: foram 1.967 eleitos em 2004, 1.416 em 2008 e 1.103 em 2012. Uma queda de 44% em oito anos.

O partido que mais perdeu peso ao longo do tempo foi o DEM, legenda que, ainda como PFL, chegou ao auge de sua importância nas eleições municipais de 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando venceu em 1.028 cidades do País e superou até o PSDB, partido do então presidente, que ficou com 985. Nos últimos oito anos, o eleitorado comandado pelo PFL/DEM passou de 13% para 4,6%. Em 2008, com Gilberto Kassab, o DEM chegou a eleger o prefeito de São Paulo, maior cidade do País - cidade que em 2013 passará a ser governada pelo PT.

Independentes. A base governista como um todo, formada oficialmente por 20 partidos que elegeram prefeitos nas últimas eleições, ampliou seu controle do eleitorado de 57% em 2004 para 72% em 2012. Em relação a 2008, o crescimento foi pequeno: 1 ponto porcentual.

Em 2004, a composição da base tinha algumas diferenças em relação à atual. O PPS, por exemplo, estava no governo - só saiu após o escândalo do mensalão, em 2005. Já o PDT ainda não havia ingressado no governo.

O bloco governista pode crescer ainda mais se o PSD do prefeito Gilberto Kassab, hoje um partido independente, formalizar sua adesão à base de apoio à presidente Dilma Rousseff. O PSD, que vai governar 6% dos eleitores do País a partir de 2013, está em conversações com o governo para obter uma vaga na Esplanada dos Ministérios.

Adesão. A legenda de Kassab, caracterizada por ele mesmo como "nem de esquerda, nem de direita, nem de centro", também avalia uma possível fusão com o PP. O partido resultante teria 965 prefeitos e 86 deputados federais - na Câmara, empataria com o PT em primeiro lugar no ranking das bancadas.

Apesar de não integrar formalmente a base governista, o PSD votou a favor do Palácio do Planalto em 85% das ocasiões, na Câmara dos Deputados, desde que foi criado, no ano passado, segundo o Basômetro (http://estadaodados.com/html/basometro), ferramenta online do Estadão Dados que mede o grau de governismo dos partidos e dos parlamentares.

O PV também integra o bloco dos independentes, mas seu grau de fidelidade ao Planalto é alto: desde o início da gestão Dilma, o partido seguiu a orientação do líder do governo na Câmara em 79% das votações.

O oposicionista PSOL venceu em 2012 suas primeiras eleições, em Macapá (AP) e na pequena Itaocara (RJ).

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