Oposição quer ouvir Mantega e ex-chefe da Casa da Moeda

Tucano pede que ministro e Denucci, demitido sob suspeita de ter recebido proprina de fornecedores, se expliquem no Senado

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h08

O líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR), apresentou ontem um requerimento para convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci para prestarem esclarecimentos na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. A oposição quer explicações sobre as suspeitas que envolvem a nomeação e demissão de Denucci da presidência do órgão.

Entre outros assuntos, o líder tucano quer saber se a indicação do ex-dirigente, que ocupava um cargo técnico, foi feita mesmo pelo PTB. O ministro da Fazenda e o partido não se entendem quanto à nomeação de Denucci. Mantega diz que o partido é o padrinho político do ex-presidente da Casa da Moeda. A sigla alega que fez um favor ao ministro ao nomear Denucci para o órgão.

O senador quer também esclarecer dúvidas a respeito de Denucci, inclusive sobre a manutenção de contas no exterior. A intenção é que Mantega e Denucci sejam ouvidos separadamente. "É a oportunidade que ele tem para apresentar sua versão", afirmou Dias, referindo-se ao ministro da Fazenda. "Nós temos dificuldades em aprovar a convocação de ministros do PT", admitiu.

Em outra frente, o PSDB estuda também chamar o presidente da WIT, José Martins, a falar na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. A WIT é uma companhia especializada em transferência de dinheiro com sede em Londres e foi a responsável por fazer o relatório sobre as movimentações financeiras das offshores de Denucci.

Demissão. O ex-presidente da Casa da Moeda foi demitido no dia 28 de janeiro por suspeita de receber propina de fornecedores do órgão.

Dias depois, reportagem do jornal Folha de S.Paulo afirmava que Denucci teria aberto offshores em paraísos fiscais que teriam movimento cerca de US$ 25 milhões.

Na quinta-feira, o Ministério da Fazenda emitiu nota dizendo que iria abrir sindicância para apurar o caso.

No dia seguinte, em entrevista, Mantega admitiu que, em 2010, ficou sabendo por meio de reportagem na imprensa que Denucci teria tido um problema em 2001 com a Receita Federal. O ministro disse, no entanto, que isso não tinha nenhuma interferência com a função que ele desempenhava e que, portanto, "não se justificava uma mudança por causa disso".

O ex-presidente da Casa da Moeda acusa o PTB de fazer uma campanha difamatória para que ele deixasse o cargo. Indicado pelo partido, ele perdeu o apoio político em 2010, mas foi mantido no posto. / R.B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.