Oposição quer ouvir assessores de Negromonte

PPS, PSDB e DEM apostam em depoimento de funcionários envolvidos em fraude no ministério

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h06

Integrantes dos partidos de oposição reúnem-se hoje para armar uma estratégia de convocação do ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP), para depor no Congresso. Antes do ministro, eles querem ouvir os envolvidos no escândalo da fraude que abriu caminho para a aprovação de projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá (MT), encarecendo em R$ 700 milhões a obra de mobilidade urbana para a Copa de 2014.

Na reunião de lideranças do PPS, PSDB e DEM, prevista para hoje, a oposição vai acertar os detalhes para trazer a diretora de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiza Gomide Vianna, e o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto. Na semana passada, o Estado revelou que Luiza mudou o parecer que vetava uma alteração defendida pelo governo de Mato Grosso. A mudança foi feita a pedido de Cássio Peixoto. A troca elevou o custo do projeto a R$ 1,2 bilhão.

A oposição também quer ouvir Higor Guerra, analista de infraestrutura cujo parecer rejeitava a troca do BRT pelo VLT e foi alvo da fraude. "Primeiro queremos ouvir todos os envolvidos para depois ouvir o ministro", explicou o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

A ideia é tentar aprovar o depoimento dos envolvidos no episódio e de Negromonte na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. A oposição teme, no entanto, encontrar dificuldades. Antes, a comissão era presidida por um oposicionista, Sergio Brito (BA), que deixou o DEM e foi para o PSD. Agora, passou a ser presidida pelo governista Filipe Pereira (PSC-RJ).

Assim como o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), os governistas avaliam que Negromonte deve deixar a pasta na reforma ministerial, que será promovida pela presidente Dilma Rousseff no início de 2012. Negromonte está isolado e não tem o apoio de seu partido, o PP.

Com a saída de Negromonte, a cúpula pepista espera manter o controle da pasta, mas defende que o substituto tenha mais afinidade com as bancadas da Câmara e do Senado. Os parlamentares alegam que Negromonte é indicação do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

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