Oposição quer investigação contra ministra

O PSDB vai pedir ao Conselho de Ética da Presidência que também investigue a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pela execução do contrato com a ONG Pró-Natureza para criação de peixes em Brasília, no valor de R$ 869,9 mil, que não saiu do papel.

ANDREA JUBÉ VIANNA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2012 | 03h03

Reportagem do Estado mostrou que durante a gestão de Ideli o Ministério da Pesca liberou de uma só vez R$ 769,9 mil - de um contrato de R$ 869,9 mil - para a ONG Pró-Natureza, criada por um funcionário comissionado do governo de Agnelo Queiroz, implantar um projeto para criação de tilápias.

No entanto, 11 meses depois da liberação do pagamento, nenhum tanque foi instalado. No lugar onde deveria haver a produção de peixes, existe uma plantação de mandiocas.

"É mais um fato que reforça a necessidade da investigação", avaliou o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Agora eles plantam peixes e colhem mandioca", ironizou o tucano.

No início da semana, o PSDB acionou o Conselho de Ética para que instaurasse processo ético-disciplinar e investigasse Ideli pela compra de 28 lanchas-patrulhas entre dezembro 2008 e março de 2011 pelo valor de R$ 31 milhões.

O Estado mostrou que um ex-secretário da pasta, Karim Bacha, pediu à empresa contratada, a Intech Boating, doação para a campanha de Ideli. A empresa doou R$ 150 mil ao PT de Santa Catarina, que bancou 80% da campanha de Ideli ao governo.

Em outra frente, o PPS vai pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) - por meio de requerimento à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara - que o órgão de controle faça uma "devassa completa" nos convênios do Ministério da Pesca com organizações não governamentais.

O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), também vai tentar convocar a ministra Ideli Salvatti para prestar esclarecimentos à comissão. "Esses convênios podem estar servindo de fachada para abastecer o caixa do PT", disse Bueno.

A Pró-Natureza ainda solicitou, ao então titular da pasta, ministro Luiz Sérgio (PT-RJ), um aditivo de 16 meses e mais R$ 224,7 mil. O pedido foi reforçado ao atual ministro, Marcelo Crivella (PRB).

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