Oposição quer convocação, e base pede respeito a Lula

Tucanos também cobram investigação do Ministério Público, enquanto petistas dizem não aceitar que Valério divulgue 'mentiras' no Congresso

JOÃO DOMINGOS, DENISE MADUEÑO, RICARDO BRITTO, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h07

Os partidos de oposição vão tentar levar o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza ao Congresso para que ele forneça detalhes do depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro. O PT já disse que não aceitará que Valério use o Congresso para fazer divulgação de "mentiras". No depoimento, Valério diz que o mensalão pagou despesas pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de defender o convite para que Valério preste esclarecimentos no Congresso, a oposição decidiu pedir à PGR cópia do depoimento. "Entendemos que não há motivo para que o depoimento fique em segredo de Justiça. É dever do Ministério Público, como defensor da sociedade, liberar o depoimento para que possamos tomar conhecimento de seu inteiro teor", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), o Ministério Público deverá iniciar imediatamente as investigações que envolvem Lula e outros integrantes de seu governo no mensalão. "O MP deve instaurar os procedimentos para a investigação judiciária a fim de que, se delitos foram praticados, as responsabilizações civil e criminal alcancem também aqueles que se ausentaram neste primeiro momento do julgamento do Supremo Tribunal Federal."

Já o senador Aécio Neves, que deverá assumir a presidência do PSDB em maio, disse que sente dificuldades em acompanhar o ritmo dos escândalos. "Estávamos nos articulando em relação à denúncia da semana passada (a Operação Porto Seguro), e agora já surgiu uma nova. A capacidade do PT de produzir agenda negativa é maior do que nossa capacidade de enfrentá-las", ironizou.

Base. Já os partidos da base saíram em defesa de Lula. "Quem faz um tipo de depoimento desses, depois de anos, é porque tenta tomar uma medida de desespero. O PT jamais vai concordar com a vinda do Marcos Valério aqui, não vamos trazer um delinquente para vir falar. Ele tem que estar preocupado é com as condições dos presídios, porque vai ficar preso um bom tempo", disse o líder do PT, Jilmar Tatto (SP).

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), chegou a pôr em dúvida a existência do depoimento. "Se existiu, é uma profunda inverdade, porque a pessoa que disse não tem autoridade para falar sobre o presidente Lula, que é um patrimônio do País, da História do País por sua vida e tudo que ele tem feito", disse Sarney.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), destacou que o procurador da República analisou o depoimento de Valério e concluiu que deveria ter cautela. Disse que toda a fala do empresário pode fazer parte de uma estratégia de seus advogados. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), classificou de "desequilibrada" a declaração do operador do mensalão. "Não é uma afirmação que mereça crédito. É uma declaração desequilibrada, descontextualizada. É uma tentativa de confundir o processo já julgado", disse.

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