Oposição pernambucana apela para uso da ‘razão’

Após perda de liderança, campanha de Monteiro tenta agora colar imagem do candidato do PTB à do ex-governador do Estado

Erich Decat , ENVIADO ESPECIAL

30 de setembro de 2014 | 23h45

RECIFE - Atingido no meio da campanha pela comoção em sua terra natal com a morte de Eduardo Campos (PSB), o principal candidato de oposição ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro (PTB), tenta como última cartada contra Paulo Câmara (PSB) o mesmo apelo à razão que o candidato Aécio Neves (PSDB) tenta imprimir à campanha nacional na reta final. 

“Acabamos sendo vítima de uma campanha absolutamente emocional por conta da morte de Campos. Isso vem sendo explorado à exaustão, com uma massificação bilionária na rua. Monteiro quer nesse momento trazer as pessoas para a realidade e estabelecer comparações”, afirma o marqueteiro da campanha do candidato, Marcelo Simões. “É o mais experiente, mais preparado. E o outro (Câmara), é um cara que saiu do nada, foi indicado, veio apenas para ser liderado e não para liderar. Esse será o enfoque: racionalidade versus emocionalidade”, acrescenta. 

Monteiro liderava a campanha contra Câmara por mais de 30 pontos de diferença. Após a morte do ex-governador, Câmara subiu sem parar. De acordo com a mais recente pesquisa Ibope, ele lidera a disputa estadual com 39% das intenções de votos contra 35% de Monteiro. 

O uso da “razão” na reta final inclui apresentar semelhanças entre Monteiro e Campos. “Eles são iguais na liderança, capacidade política, articulação com o nacional, trajetória política e administrativa. (Mas) Câmara, se chegar em Brasília, não sabe nem que porta vai bater”, afirma Simões.

A coligação no Estado é apoiada pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma Rousseff (PT), que fizeram gravações para o programa eleitoral da chapa. Monteiro ainda vai usar a imagem dos dois para passar o recado aos eleitores de que ele tem mais “capacidade” para dar continuidade às parcerias com o governo federal iniciadas por Campos, quando comandou o Estado. 

As iniciativas do ex-governador renderam uma série de investimentos feitos em conjunto com o governo federal em refinarias, estaleiros, adutoras, fábricas de automóveis e programas sociais.

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