Oposição pede que procurador investigue Lula

PSDB, PPS e DEM afirmam, em documento, que ex-presidente é 'verdadeiro chefe' do mensalão

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h07

Parlamentares de PSDB, DEM e PPS protocolaram ontem uma representação para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, investigue o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por envolvimento com o mensalão.

As siglas de oposição chamam Lula de "o verdadeiro chefe da organização criminosa" e apontam que o ex-presidente pode ser enquadrado pelo crime de corrupção passiva por ter se beneficiado de recursos desviados pelo empresário Marcos Valério, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e apontado como operador do esquema.

Para pedir a investigação de Lula, os partidos de oposição tomaram como base o depoimento de Valério ao Ministério Público, revelado anteontem pelo Estado. O empresário afirma que Lula deu o "ok" para o esquema e teve despesas pessoas pagas com dinheiro do valerioduto.

Na representação, PPS, PSDB e DEM destacam que o depoimento é uma acusação direta a Lula. "O Sr. Marcos Valério Fernandes de Souza denunciou formalmente o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o mesmo era o verdadeiro chefe da organização criminosa que operou o 'mensalão', beneficiando-se inclusive pessoalmente dos recursos roubados", afirma o documento.

Os partidos sustentam que as "acusações são gravíssimas e precisam ser investigadas a fundo". "Não está se tratando mais de suposições, elucubrações, presunções ou teorias", diz trecho da representação. "Os representantes vêm perante esta douta procuradoria-geral da República para requerer a devida investigação criminal e, caso sejam confirmados os fatos, que seja promovida a competente ação penal pública em fase ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e de quem mais estiver envolvido."

O pedido é assinado pelo presidentes do DEM, José Agripino (RN), pelo presidente do PPS, Roberto Freire (SP), pelos líderes do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), e na Câmara, Bruno Araújo (PE), e pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

"Eu acho inevitável a abertura de inquérito diante dos novos fatos revelados pelo Estado", afirmou o tucano Alvaro Dias. "É a resposta que o Ministério Público tem de oferecer a uma exigência nacional, especialmente após o julgamento", completou.

Os partidos pediram ainda uma cópia do depoimento de Valério. Por ainda não fazer parte de nenhum processo, a declaração não estaria protegida por sigilo judicial. "É uma denúncia que atinge um ex-presidente e que merece o conhecimento de toda a sociedade", afirmou o presidente do PPS, Roberto Freire.

Em atuação paralela, a oposição tenta ainda aprovar convite para ouvir Marcos Valério em comissões da Casa.

"A reportagem traz dados concretos, circunstanciando o depoimento, que está assinado pela subprocuradora-geral da República e pelo advogado de Valério. São fatos gravíssimos que precisam ser esclarecidos", disse José Agripino (DEM). / EDUARDO BRESCIANI e RICARDO BRITO

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