Oposição estuda pedir investigação ao MP

O PSDB examina pedir investigação ao Ministério Público para apurar suposta participação do ex-presidente Lula no esquema de compra de votos em troca de apoio ao seu governo, depois das revelações atribuídas ao empresário Marcos Valério de que Lula era o chefe do mensalão, conforme reportagem da revista Veja.

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h09

Na oposição, há a expectativa de que novas revelações e detalhes do esquema virão à tona por outros réus que esperavam proteção do esquema, mas que estão sendo condenados no julgamento do processo em curso no Supremo Tribunal Federal.

"A perspectiva de prisão vai soltar a língua de muita gente", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Isso é explosivo. É a primeira vez que as suspeitas se confirmam pelo depoimento da figura central que é Marcos Valério", afirmou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN). Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), os fatos devem ser esclarecidos. "Denúncia contra qualquer pessoa deve ser apurada sem qualquer prejulgamento. É importante que tudo fique claro o mais breve possível, inclusive o que envolva o ex-presidente Lula."

Eleição. O comando da campanha de Fernando Haddad avalia que a tentativa de Marcos Valério de carimbar Lula como "chefe do mensalão" não se sustenta e tem caráter nitidamente eleitoral. Mesmo assim, a reportagem preocupou o comando da campanha, que antecipou reuniões, marcadas para este fim de semana.

As denúncias reforçaram a percepção de petistas de que é hora de atacar Serra, que vem tentando vincular José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares - réus do processo do mensalão - à candidatura de Haddad. "Temos de politizar esse debate e mostrar que Serra já fez isso na campanha presidencial", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), também reagiu. "Vão quebrar a cara aqueles que querem tentar envolver o presidente Lula nesse processo. O povo brasileiro sabe quem é Lula e o que ele fez de bom", disse, descartando impacto político das declarações na eleição.

Após carreata na zona leste da capital, Haddad afirmou que não leu a reportagem da revista, mas disse que as denúncias "refletem um comportamento normal dessas pessoas que sofrem processos dessa natureza, de a cada momento apresentarem uma versão". "(Marcos Valério) É uma pessoa que está num momento difícil da sua vida e que, evidentemente, a essa altura, a cada momento, vão dizer uma coisa a respeito, até para se justificar perante a família." / ROSA COSTA, DENISE MADUEÑO, VERA ROSA e FAUSTO MACEDO

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