Oposição e Vital do Rêgo travam briga por CPI mista às vésperas do 2º turno

Presidente da comissão que investiga a Petrobrás quer evitar 'contaminar' os trabalhos com o ambiente eleitoral; opositores querem convocar nomes citados por Youssef e Costa à Justiça

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 19h08

Brasília - Lideranças da oposição e o presidente da CPI mista da Petrobrás, senador Vital do Rêgo (PMDB), travam uma briga sobre as investigações que vão ser realizadas pela comissão até a próxima semana, a última antes do segundo turno da eleição presidencial. Partidos que apoiam a candidatura do tucano Aécio Neves querem explorar, na CPI, as recentes declarações do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, segundo as quais o PT recebia propina em contratos da estatal, para desgastar a adversária Dilma Rousseff. Aliado da presidente, Vital resiste a tomar iniciativas com o argumento de que a CPI não pode ficar "contaminada" pelo ambiente eleitoral.

Os oposicionistas defendem que a CPI faça, ainda nesta quarta, uma reunião administrativa para votar requerimentos de convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari, e do ex-diretor de Serviços Renato Duque, ambos citados por Paulo Roberto Costa como envolvidos no suposto esquema de propina ao partido. Eles também pretendem aproveitar a reunião já marcada para a próxima quarta-feira, 22, em que vai ouvir o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, para tentar chamar o doleiro Alberto Youssef, cuja convocação já tinha sido aprovada pela CPI.

Lideranças do PSDB, do DEM, do PPS e do Solidariedade reuniram-se nesta tarde com Vital para cobrar providências. Saíram do encontro sem qualquer sinalização de que o presidente da CPI vai acatar as sugestões apresentadas. Regimentalmente, cabe a Vital convocar sessões e marcar os depoimentos. A oposição critica a falta de interesse dos aliados de participarem das investigações da comissão. "A base governista foge desta CPI como o diabo foge da cruz", afirmou o líder tucano na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), em entrevista após o encontro.

O presidente da CPI admitiu que é "difícil" realizar uma sessão administrativa na quarta diante das ausências dos parlamentares e da obrigatoriedade de se divulgar, com pelo menos 24 horas de antecedência, a convocação dos deputados e senadores para comparecer ao encontro. Ele disse ainda que esse tipo de reunião precisa contar com a presença de, no mínimo, 17 integrantes da comissão. Como a base é maioria na CPI, se ela não comparecer, não há quórum mínimo para votação.

Vital afirmou que está consultando lideranças do governo para tentar marcar a reunião. Ele negou que esteja trabalhando para defender o governo. "Não há nenhuma vírgula que não tenha sido automaticamente, dentro das minhas responsabilidades, cumpridas. A oposição, pelo menos a mim, não teceu essas críticas. Pelo contrário, elogia o trabalho", afirmou.

O peemedebista também rechaçou estar sendo pressionado pelo Palácio do Planalto. "Naturalmente estamos vivendo um período eleitoral e as questões não podem ser contaminadas. Nossa ação, do Congresso Nacional, não pode ser contaminada pela questão eleitoral que, dentro desse espaço de tempo de 15 dias, possa trazer consequências que não são do dever do Congresso, que é apurar de forma limpa e soberana", disse ele.

Vital não descartou a possibilidade de a reunião administrativa ocorrer na quinta-feira. Ele também não rejeitou que a comissão possa aprovar os pedidos da CPI. Mas sinalizou que trazer Youssef, que participa no momento de uma delação premiada, pode ser improdutivo para as investigações da comissão. Paulo Roberto Costa, outro delator, ficou calado no mês passado durante depoimento aos parlamentares. 

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