Oposição diz que Dilma faz campanha de reeleição na TV 'às custas da máquina'

Reação ocorre após pronunciamento da presidente sobre contas de luz; para PSDB, petista ultrapassou 'limite perigoso' da democracia

EUGÊNIA LOPES , RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h13

Os partidos de oposição acusaram ontem a presidente Dilma Rousseff de usar o pronunciamento em rede nacional em que anunciou a redução do valor das tarifas de energia como palanque de sua campanha eleitoral à reeleição. A reação mais forte partiu do PSDB que, em nota, afirmou que o governo do PT "acaba de ultrapassar um limite perigoso para a sobrevivência da jovem democracia brasileira". O PPS e o DEM também criticaram, lembrando que o anúncio da medida já tinha sido feito durante a campanha eleitoral, em 2012.

O PT contra-atacou e, também em nota, afirmou que os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso deixaram como legado "a façanha de quebrar o País três vezes e provocar um apagão de mais de um ano, levando o Brasil de volta à era das lamparinas".

Na nota tucana, o presidente nacional da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE), afirmou que no governo do PT "tudo é propaganda", "partidarizado". "Nada aponta para o equacionamento verdadeiro dos problemas do País", disse Guerra. "O que se vê é o lançamento prematuro de uma campanha à reeleição, às custas do uso da máquina federal e das prerrogativas do cargo presidencial", acrescentou.

O tucano disse que o País "assistiu à mais agressiva utilização do poder público em favor de uma candidatura e de um partido político (...) sob o pretexto de anunciar, mais uma vez, a redução do valor das contas de luz, já prometida em rede nacional há quatro meses e alardeada em milionária campanha televisiva paga pelos contribuintes".

Presidenciável. Provável candidato do PSDB à Presidência em 2014, o senador Aécio Neves (MG) afirmou que "o Brasil assistiu ontem a mais um exemplo inaceitável de como o PT usa, sem constrangimentos, estruturas de Estado para alcançar seus objetivos políticos. Falou à Nação não a presidente, mas um partido político, evidenciando, como nunca antes neste País, a mistura entre o público e o particular".

Chamando de "inadmissível" o fato de Dilma ter ido à TV fazer o discurso no qual criticou os "do contra", o vice-líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), pediu à assessoria jurídica do partido que analise a viabilidade de a presidente ser obrigada a pagar pelos oito minutos de cadeia em rádio e TV. O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), também denunciou o uso do pronunciamento com fins eleitorais.

Reação. Em reação a esses ataques, o líder do PT, José Guimarães (CE), acusou os governos estaduais do PSDB: "Rejeitaram as condições do acordo proposto pelo governo para redução da tarifa as companhias energéticas Cesp (SP), Cemig (MG), Copel (PR). Os tucanos mais uma vez entraram num beco sem saída. Resolveram assumir uma posição dura talvez supondo que conseguiriam derrotar a proposta do governo".

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