Operação Guanabara: exército passa a ocupar Rocinha e Vidigal

Tropas têm o objetivo de apoiar e garantir o processo eleitoral e recolher material de campanha irregular

Roberta Pennafort , Agência Estado

14 de setembro de 2008 | 18h19

Depois de passar por favelas da zona oeste e da zona norte do Rio, o Exército ocupa, a partir desta quarta-feira, a Rocinha e o Vidigal, na zona sul, como forma de garantir o acesso de fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e de impedir a interferência de criminosos nas próximas eleições.  Iniciada na quinta-feira, a chamada Operação Guanabara, de apoio ao processo eleitoral, vem recolhendo material de campanha irregular. Ontem, nas favelas da Coréia e do Taquaral, em duas horas de operação, foram retirados 600 quilos de material de propaganda. Dois mil militares da Brigada de Infantaria Pára-Quedista foram deslocados para as duas comunidades da zona oeste, e também para a favela do Sapo e da Vila Aliança, na mesma região.  Outras três toneladas foram retiradas em favelas desde quinta-feira - os militares já estiveram no Complexo da Maré, na zona norte, na Cidade de Deus e no Rio das Pedras, na zona oeste, entre outras favelas. Não foram registrados incidentes com criminosos. (com Agência Estado e Agência Brasil) Tropas federais do Exército também vão ocupar as comunidades de cidades do Estado do Rio de Janeiro onde houver 2º turno nas eleições municipais, segundo afirmou neste domingo (14) o presidente em exercício do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RJ), desembargador Alberto Motta de Moraes. Moraes sobrevoou hoje, de helicóptero, as comunidades já ocupadas pelo Exército na zona oeste da capital fluminense: Vila Aliança, Taquaral, Sapo e Coréia. O porta-voz da operação, coronel Novaes, reafirmou que as tropas permanecerão nas áreas mapeadas pelo TRE e negou ter recebido ameaças dos traficantes da Coréia. À tarde, o clima ficou tenso na comunidade, com olheiros do tráfico circulando próximo às tropas militares, mas nenhum incidente foi registrado. O candidato do PSOL à Prefeitura do Rio, Chico Alencar, foi o único a fazer campanha hoje na região ocupada, em Vila Aliança.  O TRE é que seleciona as áreas a serem cobertas. A intenção é permitir que a fiscalização faça seu trabalho com tranqüilidade em locais onde não vinha conseguindo, por conta da ação de traficantes de drogas e grupos de milícia. O coronel André Novaes, porta-voz da operação, frisa que não se trata de uma operação de segurança pública. Até as eleições, deverão ter sido cobertos 28 pontos, a maior parte na capital, mas também em municípios do Grande Rio e em Campos, no interior.  

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