Operação com avião não tripulado apreende 1 t de droga

FAB estreia aeronave em ação com PF, Marinha e Exército na fronteira com Bolívia e Peru; oito pessoas foram presas

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h01

Os dias têm sido quentes na área da Operação Ágata 6, a fronteira do Brasil com a Bolívia e o Peru, uma linha sinuosa de 4.216 quilômetros onde os termômetros passam sempre dos 30 graus - e por onde escoam, segundo os setores de inteligência da Polícia Federal, 40% das drogas, armas, munições e produtos contrabandeados que circulam no País.

A Ágata-6 envolve 7.500 militares da Marinha, Exército e Aeronáutica. Na definição do Ministério da Defesa, o objetivo é "combater ilícitos". Na prática, significa que as 26 aeronaves - entre as quais caças-bombardeiros AMX e os grandes jatos de vigilância eletrônica R-99 -, uma frota de dezenas de veículos de transporte de tropas e a flotilha de oito embarcações especializadas, estão empenhadas em ações reais há 11 dias, com bons resultados. Só durante a primeira semana de atividades foram apreendidos 1,1 tonelada de droga pura, 14 veículos pesados e 221 barcos. Oito pessoas foram detidas.

No ar, voa um poderoso olho digital empregado pela FAB - o veículo aéreo não tripulado, o Vant, pilotado a partir de um ponto remoto, em terra, com uma plataforma de coleta de dados, informações e imagens. Pode permanecer de 16 a 20 horas na altitude de 5.500 metros e a velocidades de cruzeiro na faixa dos 130 quilômetros por hora, com carga útil de 150 quilos.

Característica. O RQ-450 é produzido em Israel pela Elbit Systems. O preço, na versão básica, é de US$ 2 milhões. A FAB tem duas unidades e está comprando mais uma ou duas. É um pequeno avião de 6,1 metros de comprimento, 10,55 metros de envergadura e 450 quilos de peso total. Para operá-lo a Aeronáutica criou o Esquadrão Hórus, na Base Aérea de Santa Maria, a 290 quilômetros de Porto Alegre.

Boa parte do rendimento do Vant é mantido em sigilo. Os recursos óticos e eletrônicos permitem captar imagens em tempo real, coloridas, em alta resolução enviadas por meio de um sistema de enlace. Em outro modo, é possível captar imagens em infravermelho, sob neblina ou debaixo da copa de árvores - "Um só indivíduo ou grupos em movimento, de dia ou de noite", explica o comandante do time, tenente-coronel Donald Gramkow. Para o oficial, "por ser uma plataforma que produz conhecimento, é preciso chegar a quem dele necessita - assim, há uma coordenação entre os interessados". O RQ-450 da FAB atua desarmado. A aviação de Israel emprega o tipo com dois mísseis Hellfire, ar-terra.

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