ONU e Irã ficam fora da pauta diplomática

Entre os temas mais sensíveis, Dilma reitera que Cuba estará na próxima Cúpula das Américas

VERA ROSA / ENVIADA ESPECIAL, DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h02

Na conversa privada que a presidente Dilma Rousseff teve ontem com o presidente Barack Obama, na Casa Branca, ela foi enfática sobre Cuba - como antecipou o Estado na edição de ontem - e disse a Obama que a próxima Cúpula das Américas, a ser realizada na Colômbia, no fim de semana, será a última sem a presença do país caribenho.

Porém, temas delicados, como o programa nuclear do Irã e o cancelamento da compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer pela Força Aérea Americana, não foram abordados, nem a pretensão do Brasil de integrar o Conselho de Segurança da ONU.

Embora Dilma não tenha citado o Irã diretamente, em relação à pretensão norte-americana - não endossada pelo Brasil - de aplicar sanções àquele país, ela disse ter manifestado a Obama a posição do Brasil, de defesa dos direitos humanos. "O Brasil defende um mundo de paz, de diálogo, de respeito aos direitos humanos e, de preferência, de gestões diplomáticas antes de qualquer outra medida."

Ao tratar de Cuba, a presidente manifestou uma posição combinada com outros países mais alinhados à esquerda na América do Sul. "Eu disse que não haverá outra Cúpula sem Cuba", confirmou Dilma aos jornalistas, que quiseram saber, então, o que Obama respondeu. "Nada. Não era uma pergunta. Era uma constatação", devolveu.

'Apreço'. Sobre a pretensão de o Brasil integrar o Conselho de Segurança da ONU, ela disse que a conversa não girou sobre este assunto. Em março do ano passado, no Brasil, Obama manifestou "apreço" pela postulação. "Não tivemos preocupação na discussão formal sobre isso. Manifestamos preocupação sobre Oriente Médio e Norte da África. O Brasil sempre prefere evitar conflitos e sempre acrescentamos responsabilidade ao proteger populações civis", comentou Dilma. E acrescentou: "Não é só responsabilidade de proteger. Mas se você vai proteger com mandato dado pela ONU baseado no direito internacional. Você tem de ter responsabilidade ao proteger, (é preciso ver) o que você vai fazer para proteger."

Ao ser questionada se os EUA mostraram-se mais abertos a esse discurso, a presidente mostrou contrariedade. "Não vou classificar a posição dos Estados Unidos como aberta, fechada ou entreaberta." Entretanto, o apoio americano ao Brasil no Conselho mais uma vez não saiu. No comunicado final, apenas repetiu-se o "apreço" da Casa Branca ao tema. Pelo teor do comunicado, ambos preferiram se concentrar nas convergências entre setores menos dependentes da ação de seus governos - as iniciativas empresariais nas áreas de petróleo e gás, de infraestrutura, de investimentos recíprocos, de inovação tecnológica e educação. Dilma sublinhou o fato de o investimento brasileiro nos EUA corresponder hoje a 40% da injeção de recursos americanos no setor produtivo do Brasil.

"A relação bilateral nunca foi tão forte", afirmou Obama, dizendo-se "sortudo" por ter Dilma como "parceira". "Esperamos cooperar (com o Brasil) em ampla gama de projetos energéticos", disse. "A relação entre Brasil e EUA é muito importante para nós, tanto a bilateral como a multilateral", arrematou Dilma, ao lado do presidente americano.

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