ONU denuncia aumento da violência contra jornalistas

A ONU denuncia o "aumento drástico" da violência contra jornalistas na América Latina, especialmente no Brasil, e apela para que governos tomem medidas urgentes para lidar com a situação. O alerta foi feito pela alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, que ontem apresentou sua avaliação completa das violações no mundo no primeiro semestre do ano.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h06

Entre crimes na Síria, Paquistão e Sudão, a comissária optou por destacar a situação crítica que vivem os jornalistas nos países latino-americanos. "O aumento dramático na violência contra jornalistas em vários países na América Latina nos últimos meses é preocupante", afirmou, na abertura da 20.ª reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. "Alguns governos enfrentam dificuldades para oferecer aos jornalistas proteção", disse.

A ONU tem acompanhado a situação brasileira, que classifica como "preocupante". No fim de abril, a entidade declarou-se "alarmada" pelo número de jornalistas executados no Brasil este ano e cobrou "medidas imediatas" do governo para garantir proteção. A declaração foi feita depois que o jornalista Décio Sá, de 42 anos, foi assassinado no Maranhão. Ele foi a quarta vítima entre jornalistas em apenas quatro meses, o que coloca o Brasil como um dos líderes no número de mortes na América Latina.

"Nós estamos alarmados com o fato de que mais um jornalista foi morto no Brasil neste ano", declarou na época Rupert Colville, porta-voz do Escritório da ONU para Direitos Humanos, com sede em Genebra. Mas a entidade insiste que o que mais a preocupa não é apenas o caso de Sá, mas a sequência de mortes. "Nós condenamos o assassinato de Décio Sá e estamos preocupados que essa tendência mine o exercício da liberdade de expressão no País", declarou Colville.

No alerta de ontem, a comissária destacou ainda a situação no México, onde seis jornalistas foram mortos em apenas 30 dias entre abril e maio deste ano.

A ONU apelou para que o caso do Maranhão e as demais mortes e ameaças contra jornalistas em 2012 sejam alvo de uma investigação aprofundada. A entidade, inclusive, fez uma cobrança clara ao governo brasileiro, exigiu medidas de proteção para prevenir novos incidentes. Na avaliação das Nações Unidas, a defesa da liberdade de expressão é um dos pilares da democracia.

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