ONGs relatam massacre de até 80 indígenas

Organizações não governamentais de defesa dos direitos dos indígenas que atuam na Venezuela denunciaram ontem que mineiros mataram até 80 ianomâmis na região da fronteira venezuelana com o Brasil. As informações são da emissora britânica BBC.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h09

O ataque, de acordo com os relatos, ocorreu no mês passado, na comunidade de Irothatheri, localizada nas proximidades do território brasileiro.

Testemunhas que estiveram no local da matança afirmaram que os mineiros atearam fogo a uma casa comunal dos indígenas, pois encontraram os corpos dos ianomâmis carbonizados ao passar pela tribo.

Membros da comunidade indígena têm reclamado de mineiros invadindo suas terras à busca de ouro.

Segundo a ONG Survival International, a demora na descoberta do massacre ocorreu em virtude da remota localização da tribo atacada. A entidade afirmou que as pessoas que descobriram os corpos levaram vários dias para caminhar até a localidade mais próxima.

Organizações de defesa dos ianomâmis afirmaram ter encontrado três sobreviventes e pediram, em um documento dirigido ao governo venezuelano, que Caracas investigue a matança e colabore com o Brasil no "controle e vigilância" de mineiros na região ocupada pelos indígenas.

"Todos os governos com terras na Amazônia devem impedir a mineração ilegal desenfreada, a extração de madeira e os assentamentos nos territórios indígenas", afirmou à BBC Stephen Corry, diretor da Survival International.

A emissora britânica informou que os ativistas pelos direitos dos ianomâmis que atuam na região amazônica já haviam relatado, recentemente, que mineiros ilegais vinham fazendo ameaças aos indígenas e praticando violência contra as comunidades da região.

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